– Europa Imprensa/Contato/Jimmy Villalta
MADRID, 12 de fevereiro (EUROPE PRESS) –
O parlamento venezuelano adiou para a próxima semana a votação da lei de amnistia para presos políticos proposta pela líder do país, Delcy Rodriguez, devido a divergências entre os deputados sobre um dos artigos da lei.
No total, os deputados aprovaram por unanimidade seis artigos do projeto, embora não tenha sido alcançado acordo no sétimo, que é fundamental para determinar quais tipos de perfis serão excluídos deste benefício.
Em particular, existem discrepâncias na redação do texto, que exige que os beneficiários da anistia condenados e posteriormente exilados como resultado da repressão chavista se tornem “legais”, isto é, sejam colocados à disposição das autoridades competentes para reconhecer os crimes especificados.
O artigo estabelece que a amnistia aplica-se a qualquer “pessoa que seja ou possa ser processada ou condenada por alegada ou comprovada participação em crimes ou delitos cometidos no âmbito dos factos objecto da amnistia, desde que seja ou venha a ser elegível após a entrada em vigor desta lei”.
“O que se passa com este artigo? Quando se diz “desde que seja certo”, está simplesmente a dizer que a pessoa que beneficia da lei de amnistia ao tornar-se certa é culpada”, explicou o deputado Luis Florido, do partido da oposição Un Nuevo Tiempo (UNT), reiterando que não pode declarar-se culpado de crimes que não cometeu.
Face ao acalorado debate, a deputada da oposição Nora Bracho, que defendia que a lei deveria ser ampla e abranger todos os exilados, perseguidos e presos por motivos políticos no mundo, exigiu o adiamento da apreciação do artigo, após o que a reunião foi encerrada.
No entanto, pequenas alterações foram feitas no texto. Os deputados aprovaram, entre outras coisas, que esta medida visa “promover a reintegração dos beneficiários nas atividades públicas”, bem como “promover a paz social e a convivência democrática”.
O debate sobre a lei ocorreu no meio de um dia de protestos de estudantes da Universidade Central da Venezuela exigindo a libertação de todos os presos políticos, uma anistia total que beneficiasse todas as vítimas e a democracia no país latino-americano.