A partida contra o Metropolitano desta quinta deixou duas faces da moeda em cada banco. Por um lado, Simeone está em êxtase, contagiado pela energia de um torcedor devoto desde o momento em que os elencos foram anunciados. “A vida é energia e hoje a vivemos no estádio”, disse Cholo na coletiva de imprensa pós-jogo. Por outro lado, o aposentado Flick viu sua equipe sofrer quatro gols no primeiro tempo sem ver qualquer reação dos seus jogadores em campo. “Não jogámos como equipa, não pressionámos o suficiente e eles tinham mais vontade de marcar do que nós”, disse o treinador alemão.
O Atlético marcou na primeira parte, produzindo um dos melhores inícios de jogo de que a equipa de Simeone se lembra. O técnico argentino optou por quatro atacantes: Giuliano e Lookman nas laterais, além de Griezmann e Julian Alvarez. “A interpretação da partida foi muito boa. Os quatro atacantes interpretaram muito bem o espaço que os adversários criaram com o seu jogo”, detalhou Simeone nos primeiros 45 minutos. Quatro remates de três dos seus quatro avançados deixaram o Barcelona desprevenido, incapaz de montar uma jogada de ataque contra uma defesa vermelha e branca muito bem estabelecida e que voava nos contra-ataques.
No meio-campo, Simeone decidiu trazer Marcos Llorente – que Cholo disse “quebrou tudo” – ao lado de Koke devido à ausência de Barrios por lesão, e teve que reforçar o lateral-direito Nahuel Molina. O argentino fez uma grande partida e o treinador o elogiou. “O trabalho compensa, na vida você tem que dar e em algum momento isso volta para você. Eles têm que ver como Molina treina, como ele ajuda e como incentiva seus companheiros mesmo quando não está jogando”, disse Simeone.
Após o intervalo, o Barça teve um desempenho melhor do que nos primeiros 45 minutos, com Kubarsi marcando aos 52 minutos. Porém, a partida foi interrompida devido à intervenção do VAR, que considerou um possível impedimento. Durante aquele eterno intervalo de sete minutos que durou a revisão, Flick entrou e saiu do banco desesperado; Simeone cerrou os punhos, rezando com tudo o que sabia naqueles minutos para que o gol fosse anulado. E as orações se concretizaram: o gol foi anulado. Flick ficou chateado com o atraso e a decisão do VAR após a partida. “Para mim não foi impedimento. Se os juízes viram algo depois, por que não nos contaram?” – explicou o alemão.
Simeone parecia ter aprendido as lições do jogo do campeonato do ano passado, no qual recuperou de uma desvantagem de 2-0 e o resultado final foi de 2-4. Apesar do placar estar 4 a 0, ele discursou para seu time e os incentivou a avançar em busca do quinto gol, principalmente depois que Eric Garcia foi expulso após falta no último zagueiro.
O Camp Nou dará seu veredicto na próxima terça-feira, 3 de março (21h). Flick, que saiu desanimado pelo túnel do vestiário após o placar de 4 a 0, tem total confiança em seus meninos. “Estou muito orgulhoso da minha equipe nesta temporada. Não tanto nos primeiros 45 minutos de hoje, mas estou orgulhoso. Temos mais um jogo e vamos lutar por ele. Estaremos de volta.” Simeone, por sua vez, diminui as expectativas e não fecha o placar apesar da grande vantagem com que inicia os 90 minutos finais. Embora tenha afirmado que “aconteça o que acontecer na segunda mão, este jogo ficará na memória por muito tempo”.