Nesta sexta-feira, a crise global da família de aeronaves Airbus A320 atingiu a Colômbia. A autoridade da aviação civil ordenou o aterramento de todas as aeronaves Airbus A320 que operam no país sul-americano após um alerta global emitido pelo fabricante europeu e pela Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA). A decisão visa prevenir riscos nos sistemas de controle de voo e afeta imediatamente Avianca, LATAM e JetSMART, companhias aéreas que utilizam este modelo para cobrir a maioria das rotas nacionais e regionais. “Esta é uma medida preventiva e obrigatória destinada a garantir os mais elevados padrões de segurança operacional”, afirmou a agência em comunicado oficial.
A Avianca, que transporta mais de 40% dos passageiros do país, anunciou que mais de 70% dos seus aviões ficariam parados durante pelo menos 10 dias após receber uma ordem do fabricante europeu Airbus para actualizar urgentemente os seus programas de computador para corrigir uma vulnerabilidade nos seus sistemas de controlo de voo. A decisão, inédita na história recente da aviação comercial, obrigou a companhia aérea a encerrar a venda de passagens até 8 de dezembro e a reorganizar milhares de rotas em plena época alta, conforme confirmado em comunicado oficial da empresa.
Nesta sexta-feira, a Airbus notificou que a intensa radiação solar pode danificar dados críticos do computador ELAC, que controla os movimentos dos ailerons e do profundor. A descoberta ocorre após um incidente ocorrido em outubro envolvendo um JetBlue A320 nos EUA, que perdeu altitude repentinamente e foi forçado a fazer um pouso de emergência. “As aeronaves envolvidas deverão permanecer aterradas na chegada às suas bases de manutenção até que os trabalhos sejam concluídos”, explicou a Avianca em sua mensagem aos passageiros. Paralelamente, a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) alertou que se a falha não for corrigida, poderá levar a movimentos descontrolados do elevador, o que colocaria em risco a integridade estrutural da aeronave.
A medida afeta o núcleo das operações aéreas do país: a Avianca opera mais de 150 rotas e 700 voos diários na América Latina, e sua frota é dominada pela família A320. Segundo reportagens da imprensa local, desde a tarde de sexta-feira foram registados cancelamentos em massa de voos e atrasos de até seis horas nos principais aeroportos do país. “Haverá inevitavelmente perturbações significativas nos voos nos próximos dez dias”, admitiu a companhia aérea, que dará prioridade à reorganização dos passageiros já reservados. As rotas nacionais e internacionais passarão por grandes ajustes. A empresa notificará os clientes diretamente e oferecerá trocas, reembolsos ou opções de roteamento alternativo.
A LATAM Airlines e a JetSMART, que também operam dezenas de aeronaves A320 na Colômbia, terão que cumprir a mesma diretriz, ampliando o alcance da crise no mercado local. O A320 é a aeronave mais utilizada em rotas domésticas e regionais. A sua imobilização maciça não só coloca pressão sobre a logística aérea, mas também implica o aumento das tarifas, o congestionamento nos aeroportos e a pressão sobre as companhias aéreas concorrentes. A segurança, porém, não permite discussão: “A prioridade da Avianca é garantir a segurança dos nossos passageiros e tripulantes”, confirmou a empresa.