novembro 29, 2025
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O gabinete do procurador-geral está vago, assim como o sistema de justiça no México. Não só pela saída repentina de Alejandro Hertz Manero, mas também pelo descaso e disfuncionamento do órgão responsável pela investigação e julgamento de crimes federais em um país cheio de vítimas. Hoje no México não há promotor, assim como não há justiça, e o escândalo é que isso não é causa de alívio ou agitação.

Analisar o que aconteceu ontem tem muitas dimensões, e a política é sem dúvida uma das mais relevantes. Contudo, não é o único e neste momento pode não ser o mais importante se a nossa verdadeira intenção for resolver o problema da insegurança, da violência e da impunidade. Portanto, nas linhas seguintes, gostaria de oferecer alguns dados que nos remetem a um importante debate, nomeadamente o estado da administração da justiça no México, para que com a sua ajuda possamos avaliar o trabalho do Ministério Público e devolver a seriedade aos processos de nomeação daqueles que pretendem liderá-lo:

De acordo com o Censo Nacional de Contratações e Entregas Judiciais Federais do INEGI, o desempenho do FGR entre 2019 e 2024 deixou muito a desejar. Durante estes anos, os procuradores investigariam menos, processariam poucos e alcançariam apenas uma pequena minoria de condenações nos casos que julgavam.

O número de investigações da FIG sobre crimes federais caiu de 98 mil em 2019 para pouco mais de 78 mil em 2024, segundo a mesma fonte. falta de testes. Só em 2024, 66,7% das quase 92 mil determinações registradas na esfera federal levaram à paralisação do processo e apenas 17% intensificaram a instauração de processos criminais. Ou seja, o Ministério Público não só investigou menos como em seis de cada dez casos que examinou não dispunha de elementos suficientes para processá-los.

Finalmente, dos casos que foram investigados e decididos a processar, apenas uma pequena minoria foi a julgamento e um número ainda menor resultou em condenações. Em 2024, o FGR conseguiu encaminhar 363 processos a um juiz, dos quais apenas 216 resultaram em condenações.

Esses indicadores não são os únicos aos quais vale a pena prestar atenção. O México Evalua já observou em 2024 que o Ministério Público tinha demonstrado uma dependência alarmante de acusações brutas para poder processar, faltava-lhe um plano estratégico para a administração da justiça e outras ferramentas, como sistemas de medição de desempenho, e que estas deficiências não poderiam ser corrigidas se continuassem as constantes reduções de pessoal. Do México Unido Contra o Crime, destacamos também a falta de vontade do promotor de forçar o Senado a votar os cinco membros do seu Conselho de Cidadãos.

Outros exemplos de como as ações do procurador e do Ministério Público foram contrárias à justiça e mostraram um profundo desrespeito pelas vítimas incluem:

Não objeção à reforma da própria Lei Orgânica da FGR, que limitava o direito das vítimas de participarem na investigação dos seus casos e deixava ao critério do Ministério de Estado a possibilidade de obter provas por elas fornecidas ou de realizar diligências investigativas solicitadas pelas vítimas; o caso de Alejandra Cuevas, onde o procurador manipulou esta instituição de forma divisionista para fabricar um crime inexistente e prender um homem inocente que teve a sua liberdade restaurada antes da intervenção do Supremo Tribunal; e a absolvição contundente do general Salvador Cienfuegos, ex-secretário de Defesa Enrique Peña Nieto, detido nos Estados Unidos. Ou o descuido com que foram tratadas as provas na fazenda Izaguirre, em Teuchitlán, e a falta de investigação adequada tanto do desvio de dinheiro dos milionários da Segalmex e da rede criminosa La Barredora, como do feminicídio de Debani Escobar, bem como da impossibilidade de chegar a um veredicto no caso Odebrecht ou na espionagem com Pegasus.

Dada a situação, é dever do cidadão exigir títulos profissionais e um verdadeiro compromisso institucional com a justiça. Se isso não for feito, permanecerá vago.