Nos últimos anos, o Instagram e o TikTok se tornaram uma vitrine onde… Muitos influenciadores possuem vidas idílicas e pele perfeita. Filtros, retoques e skins impossíveis parecem algo normal, e isso faz com que Cada vez mais meninas sentem que precisam consertar o que é realmente bom.
A estética pode ser uma aliada, mas quando a percepção fica distorcida o problema vai além das rugas ou dos gestos. Em um entrevista para Evolusdoutor Martha Garayespecialista em medicina estética do rosto e corpo do grupo Pedro Jaén. explicou por que cada vez mais jovens estão recorrendo aos neuromoduladores e aos riscos envolvidos.
Uma das notícias que mais nos surpreendeu (e preocupou) nos últimos anos é o uso de neuromoduladores em pessoas muito jovens, mesmo com vinte e poucos anos. O que está por trás dessa tendência?
O principal motivo é a crescente pressão sobre a autoestima física. Hoje tiramos fotos constantemente de nós mesmos: nos vemos nas publicações, nas câmeras, nas redes… Essa exposição constante alimenta uma obsessão pela imagem, que, principalmente entre as mulheres jovens, é prejudicial à saúde. Além disso, muitas marcas de cosméticos promovem uma imagem irrealista ao promover campanhas publicitárias de raparigas de 18 anos com uma pele perfeita que na verdade não existe.
São utilizados filtros e retoques que criam expectativas impossíveis. É nossa responsabilidade como médicos insistir que muito do que vemos não é real. Infelizmente, entre alguns profissionais, perde-se a essência de quem somos. Somos médicos, não uma empresa. Nós protegemos, não vendemos. Nosso lema é claro: se você não pode melhorar o que tem, é melhor não mexer. Se não houver necessidade de intervir, não faça nada.
Não deveria haver regulamentação tanto sobre filtros quanto sobre datas de validade?
Cem por cento. Se uma mulher tem envelhecimento precoce, mostre-me uma modelo com o mesmo problema em uma campanha, e não uma garota de 24 anos. Se um creme promete ajudar no tratamento da acne, quero ver o resultado na pele problemática, não no modelo ideal. Deveria haver mais controle na medicina estética: atualmente, vários produtos podem ser utilizados sem regulamentação suficiente, e isso não pode ser o caso.
Você já teve que recusar tratamento para pacientes pequenos? Com que argumentos?
Muitas vezes. Embora a única crítica negativa que tenho pertença a uma menina que há apenas dois meses recebeu um neuromodulador em outro centro e veio porque queria repeti-lo. Eu disse a ele que não era necessário e ele me pediu um formulário de reclamação que dizia “o médico não quis tratá-la”.
Se uma menina de 22 anos tem rugas muito pronunciadas, pode haver um motivo para agir; Mas se quero que o tratamento satisfaça uma necessidade emocional, nunca o faço.
Como são esses pacientes jovens?
Muitas vezes vêm acompanhados de amigos que já fizeram tudo e os usam como referência: “Olha tudo que meu amigo fez e eu não fiz nada”. São pacientes que, diferentemente das mulheres mais velhas, escutam pouco, mesmo quando se deparam com um profissional que estuda há muitos anos. Eles falam sobre o que veem nas redes sociais.
Do ponto de vista médico, qual é a idade mínima recomendada?
Num rosto não afetado, eu diria cerca de 30 anos. Há mulheres na faixa dos 30 anos que não precisam disso, e há mulheres mais jovens, como aquelas que são míopes ou oposicionistas, que precisam. A miopia pode causar rugas visíveis na área da glabela.
O uso profilático nessas mulheres jovens faz sentido ou é apenas uma moda passageira?
Isso faz sentido se feito corretamente. Dependendo se as rugas são estáticas ou dinâmicas, o músculo pode comprimir a pele até que ela se rompa. O objetivo não é travar o músculo (isso só acontece se houver overdose), mas sim reduzir sua força para evitar distensão excessiva. Isso evita o aparecimento de cicatrizes fibrosas e o rosto fica mais relaxado sem perder a expressão.
Qual é então a idade ideal para iniciar a prevenção?
Poderíamos dizer 30, embora dependa da situação. Vou dar um exemplo do colesterol: há quem trate tanto aos 45 quanto aos 50, mas tudo depende da análise clínica. Já imaginou ir à farmácia com um amigo e perguntar o que ele está tomando para o colesterol? Não pode ser copiado porque cada rosto e cada corpo são diferentes.
Há algum risco físico ou psicológico em usá-los tão rapidamente?
O maior risco é perder o senso de realidade. É por isso que sempre tiro fotos dos meus pacientes na primeira consulta. Um mês depois, muitos acreditam que o efeito desapareceu, mas ao comparar as fotografias, veem uma diferença real. É uma questão de percepção. Também precisamos começar a denunciar as clínicas que usam filtros nas fotos de antes e depois, porque isso é completamente enganoso.
O uso prolongado de neuromoduladores pode alterar a expressão ou causar dependência?
Se forem usadas as doses corretas, não. Como o músculo não está bloqueado, apenas a sua força é reduzida. Por exemplo, os corrugadores, quando relaxam, fazem desaparecer esse gesto indesejado. Isto é pura anatomia: trata-se de equilibrar as forças musculares, não de alterar a expressão natural.
Que conselho você daria a um jovem de 20 anos que está prestes a começar a tomar neuromoduladores?
Primeiro, saia da consulta entendendo exatamente o que está sendo discutido. Ouça o seu médico, eduque-se, aprenda sobre os efeitos colaterais e metas realistas antes de tomar uma decisão.
Para cuidar da pele sem recorrer a neuromoduladores nesta idade, recomendo Rprocedimentos dermocosméticos adequados, peelings, alimentação adequada e repouso.