Como relata Motor Pasión, o novo Leopard 2A8, produzido pela KNDS e apresentado oficialmente no Eurosatory 2024, chegará como parte das 123 unidades encomendadas pela Alemanha e com um roteiro que representa o primeiro tanque construído de raiz para as suas forças blindadas desde 1992, segundo fontes do Bundestag.
A Espanha informou os seus parceiros da NATO da sua intenção de utilizar esta opção para reforçar a XII Brigada de Guadarrama. A decisão está em linha com o aumento dos gastos com defesa (até 2% do PIB de acordo com dados enviados à Aliança) e com a urgência identificada pelo Comando de Apoio Logístico para modernizar parte da frota Leopard 2E antes que a cadeia de abastecimento se torne obsoleta dentro de uma década.
Como o Leopard 2A8 se compara à armadura atual?
Proteção multicamadas de terceira geração
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Materiais | Aço de alta dureza, tungstênio, cerâmica e compósitos poliméricos. |
A verdadeira novidade, confirmada por relatórios do Departamento Federal de Compras da Alemanha, é que esta armadura integra camadas internas especiais que protegem contra ataques verticais de drones FPV, ponto que não foi publicado nos folhetos de vendas, mas confirmado pelos especialistas técnicos da KMW em sessões fechadas. O sistema EuroTrophy, baseado em sensores micro-interceptores e cargas úteis, acrescenta uma segunda linha de defesa contra mísseis antitanque e RPGs.
Mais potência com o novo canhão L55 A1
- De acordo com a análise da Rheinmetall, há um aumento estimado de 17% na penetração em comparação com o L44.
O canhão A1 L55 de 120 mm permite o uso de projéteis APFSDS-T de nova geração e munições programáveis DM11 para destruição de estruturas de alta precisão. Um memorando do Serviço de Pesquisa do Congresso (CRS, 2024) sobre tanques ocidentais enfatiza que esta combinação “fornece uma vantagem em ambientes onde os sensores inimigos saturam o campo de batalha”.
Espanha, 46 carros e um calendário que não cabe em público
O Ministério da Defesa participou da aprovação do MGCS, mas a chegada do 2A8 tem uma nuance interna: o comando do exército admite que metade dos 2E em serviço ultrapassará 9.000 horas de uso em 2029. São os dados ocultos que explicam a urgência de aquisição de novos tanques antes que a frota atual comece a se degradar nos custos de manutenção.
A participação industrial da Indra, Sener, Sapa e GDELS permitirá integrar parte desta tecnologia no futuro sistema europeu de combate terrestre. Um relatório da RAND Europe (2023), citado em fóruns da NATO, já alertou que “a sobrevivência dos tanques pesados na linha da frente dependerá de sistemas activos e sensores integrados em redes tácticas”. Esta é exatamente a filosofia do 2A8.
O que isto significa para a estratégia militar espanhola?
- Encurtar o ciclo logístico 2E e prever a transição para MGCS em 2035.
Fontes do Pentágono citadas no seu Relatório de Modernização de Armaduras 2024 indicam que os exércitos europeus terão de “aumentar a densidade de protecção activa por veículo” na próxima década para combater a proliferação de drones explosivos. Com o 2A8, a Espanha caminha nesta direção antes que a janela tecnológica abra a próxima geração de carros modulares.
O carro que muda a posição da Europa na guerra terrestre
O Leopard 2A8 marca uma mudança estratégica: a Europa volta a produzir um tanque de guerra a partir do zero e a Espanha assegura o seu lugar nesta cadeia de produção. Se o roteiro do Exército for cumprido, a combinação 2A8 + MGCS permitirá manter um núcleo blindado competitivo até 2050, justamente quando a guerra terrestre incluirá sensores distribuídos, enxames de drones e proteção ativa como padrão.