novembro 30, 2025
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O diretório jurídico Best Lawyers publicou um ranking dos melhores advogados de Espanha para 2025, que inclui José Moya Yoldi (Sevilha, 1978), sócio da Cuatrecasas, o escritório com maior número de membros na lista em todo o país. Do escritório de advocacia OlivenciaBallester, advogado especializado em transações nos setores energético e imobiliário, é a quarta geração da família que fundou a Persán, líder nacional na produção de detergentes e uma das empresas com maior volume de negócios e número de empregos em toda a Andaluzia.

-O turismo está a mudar Sevilha, especialmente o modo de vida no centro da cidade, onde há cada vez menos vizinhos e mais turistas. Isso está ficando um pouco fora de controle?

-Sim, concordo com isso. Na minha humilde opinião, apresentaria duas propostas relativas ao turismo. Em primeiro lugar, chegou o momento de investir muito mais na qualidade do que na quantidade e tanto o setor privado como a administração pública começam a perceber isso. E isso permitirá ao Sevilla ocupar o lugar que merece. Porque Sevilha é um destino turístico de grande qualidade e não devemos perder esta qualidade excepcional. Se continuarmos a confiar na quantidade, a qualidade da nossa direcção irá deteriorar-se. E em segundo lugar, acredito que o turismo precisa de ser um pouco descentralizado. Precisamos de afastá-lo um pouco do centro de Sevilha e concentrar-nos noutras zonas da nossa cidade que são muito receptivas às iniciativas turísticas. Estamos agora no Technopark de Sevilha, o parque empresarial mais importante da Europa. E há aqui espaço para implementar iniciativas culturais, iniciativas sociais ou qualquer outra iniciativa que ajude a descentralizar o turismo do centro histórico de Sevilha, onde temos cidadãos que merecem uma vida de qualidade.

– Desde a Expo Mundial de 1992, praticamente não houve investimento nas infra-estruturas de Sevilha.

-Acho que Sevilha finalmente merece um acordo sobre investimentos transformadores. Do ponto de vista da infraestrutura, já merecemos. Acho que já pagamos mais do que o legado de 92 e é verdade que ele foi muito generoso com o Sevilha, mas é hora de devolver ao Sevilha o lugar que merece neste país. Porque esta foi uma cidade que fez uma grande diferença e finalmente merece um acordo político para desenvolver infraestruturas transformadoras. Em matéria rodoviária, em matéria ferroviária e em matéria de aviação. Ou seja, precisamos continuar investindo no aeroporto. Precisamos de uma melhor ligação ferroviária de uma hora entre Sevilha e Málaga e precisamos de um investimento muito mais forte. Não estamos falando de projetos específicos e isolados, mas de iniciativas que tenham visão metropolitana e capacidade de implementá-los, bem como vontade de pactuar. Acredito que é extremamente necessário um plano plurianual de infra-estruturas para Sevilha. Isto não é chauvinismo de Sevilha, mas sim que nós, cidadãos de Sevilha, devemos afirmar que tudo isto está a acontecer onde merecemos. Sempre criámos muita riqueza neste país e, para continuarmos a fazê-lo, precisamos de infra-estruturas.

– A sociedade civil de Sevilha nunca foi muito exigente.

– Historicamente, não recebemos uma boa avaliação como sociedade civil, pois não tivemos iniciativas poderosas para consolidar a nossa sociedade civil. Porque todas as grandes iniciativas para desenvolver a sociedade civil de Sevilha terminaram em conflitos, numa difícil gestão do ego, e não se materializaram em nada que levasse Sevilha ao lugar que talvez mereça.

– Houve um movimento muito interessante “Sevilha quer metro”, liderado por um médico, engenheiro e fotógrafo, que conseguiu mobilizar muita gente.

-Sim. Mas acho que todos esses impulsos foram um pouco diluídos. Tivemos que olhar além das nossas próprias necessidades como empresários ou cidadãos e recorrer a um projeto que reunisse a sensação geral da cidade. Esta ou outras iniciativas podem não ter sentido o apoio de muitos sectores industriais, que, pela sua relação com a administração, optaram por não pressionar esta, mas sim outro tipo de necessidades que, no curto prazo, geram mais interesse ou rentabilidade do que Sevilha pode gerar como cidadão se tiver um Metro protegido por esta iniciativa. Não estamos a falar de projectos específicos, da SE-40, não estamos a falar da segunda e terceira linhas, não estamos a falar de um aeroporto, estamos a falar de um plano plurianual para retransformar Sevilha em termos das suas infra-estruturas, como aconteceu em 1992. Houve um tratado político para isso, e precisamos que olhem novamente para a situação política em Espanha.

– Devido à atual situação política, os investimentos são novamente direcionados para o norte, para a Catalunha, o País Basco, graças a estes acordos com parceiros governamentais.

– Com efeito, é óbvio que se dirige muito mais investimento para outras regiões deste país do que para a nossa. A formação da opinião pública também é muito importante e penso que é importante aliar essa opinião ao sentido da sociedade civil.