A campanha de descontos começou antecipadamente e os próprios consumidores ficam sabendo quando fazem fila no supermercado ou consultam o carrinho de compras online a caminho do trabalho. A Organização de Consumidores e Usuários (OCU), em relatórios recentes disponíveis em seu portal oficial, alertou que em 2024, apenas 30% dos produtos realmente caíram de preço, enquanto 43% aumentaram e 27% permaneceram estáveis. Duas figuras-chave que continuam a entusiasmar os compradores espanhóis.
As primeiras mudanças em 2025 mostram comportamento semelhante: acompanhamento de preços em massa, pré-compra e uma percepção geral de que as ofertas “nem sempre são o que parecem”. Mas o número que realmente importa – o verdadeiro gasto médio – vem depois e introduz nuances que alteram qualquer previsão.
Gasto médio real da Black Friday 2025: os dados que redefinem a campanha
| Variável | Valor | Data | Fonte |
|---|---|---|---|
| Despesas médias reais por consumidor | 210 euros | 2025 | Escola de Negócios OBS |
Os principais dados que geraram mais especulação entre marcas e famílias são agora firmes: **210 euros** será o gasto médio real do consumidor espanhol durante a Black Friday 2025, de acordo com um relatório oficial da OBS Business School. Este valor consolida uma tendência de estabilidade após 2024, já marcada por um ajustamento do consumo, e confirma que, apesar da desconfiança, os cidadãos continuam a reservar uma parte adequada do orçamento anual para estes feriados comerciais.
O que significa realmente gastar 210 euros em 2025?
Para compreender a escala, basta um exemplo quotidiano: uma família que gastava 150€ nos anos pré-inflacionários gasta agora 210€, o que representa um aumento cumulativo significativo. De acordo com o Eurostat (outubro de 2025), os preços dos têxteis aumentaram 4,2% em termos homólogos e os preços dos produtos eletrónicos 2,7%. Ou seja, a mesma cesta hoje custa mais, independente do desconto indicado no rótulo.
Como esses custos são distribuídos?
- Roupas e sapatos: Continuam a ser a principal área de despesa orçamental, representando cerca de 34% do total.
- Tecnologia: Representa cerca de 29%, sendo os telemóveis e auscultadores os principais produtos.
- Vários presentes: quase 20%, sobretudo brinquedos e pequenos eletrodomésticos.
- Cosméticos e cuidados pessoais: cerca de 10%.
A desconfiança está crescendo, mas as pré-compras também
Este ano, o CMO descobriu que 67% dos consumidores acreditam que algumas lojas inflacionam os preços antes da Black Friday. Uma perceção que não só persiste como se reforça entre os jovens habituados a utilizar comparadores e alertas de preços. De acordo com um porta-voz da organização em seu relatório de março de 2025: “O monitoramento histórico de preços é a única proteção real do consumidor contra publicidade agressiva”.
Apesar disso, 80% das famílias, segundo pesquisas da KPMG e Appinio, decidiram antecipar as compras de Natal para evitar aumentos de gastos de última hora. De acordo com o Índice de Preços no Consumidor do INE, no dia 23 de dezembro de 2024, quando muitos deixaram as compras para o final, as vendas de brinquedos subiram 6,8% face a novembro. Ninguém quer repetir esta cena.
Amazon, Ikea e El Corte Inglés: quem ganha na partilha de custos
A OBS Business School confirma que a Amazon mais uma vez lidera as vendas da Black Friday, seguida pela Ikea, El Corte Inglés, Decathlon, Zara e Nike. A distribuição dos gastos reflecte não só a confiança dos consumidores, mas também as capacidades logísticas e de preços destas plataformas para lidar com picos de procura sem comprometer os prazos de entrega.
Existem realmente descontos?
A pergunta de um milhão de dólares repetida em refeitórios de escritórios e conversas familiares. De acordo com a OCU, as categorias onde as quedas reais são mais perceptíveis tendem a ser as de eletrônicos e pequenos eletrodomésticos, embora haja grande variação entre as lojas. Por exemplo, segundo o comparador Idealo, em 2024 a queda nas vendas de TV foi em média de 7,3%, enquanto a queda nos custos de vestuário foi de apenas 2,1%.
Este ano, o Painel de Preços do Banco de Espanha indica uma estabilização das margens de retalho dos produtos tecnológicos, abrindo a porta a descontos ligeiramente mais realistas do que na campanha anterior. Em geral, os especialistas recomendam três etapas: histórico de preços, comparação entre lojas e verificação se o item é do mesmo modelo ou ano.
O impacto das compras antecipadas de Natal
A maioria dos consumidores reconhece que comprar com antecedência não é apenas um desafio económico, mas também emocional. “Para que o Natal não te apanhe de surpresa”, resume um dos testemunhos recolhidos na rua. Os dados comprovam isso: os compradores da Black Friday reduziram os gastos por impulso em 18% em dezembro, de acordo com o estudo Holiday Spend Tracker 2025 da Kantar.
O que os consumidores podem esperar em 2026?
A previsão do Banco de Espanha para o quarto trimestre de 2026 pressupõe uma inflação mais moderada no setor de bens de consumo duradouros, o que poderá reduzir o efeito Black Friday. No entanto, as promoções continuarão a ser um elemento crucial para as famílias que viram os aumentos acumulados de preços reduzirem as suas poupanças.
O desafio nos próximos anos será equilibrar descontos reais com transparência comercial. Como recorda o Eurostat na sua nota de 14 de setembro de 2025: “A confiança do consumidor está diretamente correlacionada com a veracidade das campanhas publicitárias”. Uma mensagem que aponta diretamente para grandes redes.
Entretanto, os dados deste ano – 210 euros de gasto médio real – marcam o pulso de uma campanha em que um consumidor, mais informado do que nunca, mede cada clique e cada marca negra.