dezembro 1, 2025
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A Venezuela fez neste domingo uma acusação frontal: segundo o governo de Nicolás Maduro, os Estados Unidos tentarão apoderar-se das “vastas reservas de petróleo” do país “através do uso de força militar letal”. A denúncia, enviada em forma de carta ao Secretário-Geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e aos países membros (OPEP+), surge num momento de pico de tensão entre Caracas e Washington, no meio de uma crescente presença militar nas Caraíbas e do virtual encerramento do espaço aéreo venezuelano. “O mundo conhece muito bem as consequências prejudiciais da intervenção militar dos Estados Unidos da América e dos seus aliados noutros países produtores de petróleo”, escreve Maduro.

A denúncia é uma nova resposta às ações de Donald Trump, mas desta vez o elemento central que sustenta irreparavelmente todo este movimento é colocado no centro do tabuleiro: as maiores reservas de petróleo bruto do planeta. Caracas interpreta o desdobramento militar e a estratégia de pressão dos Estados Unidos contra o regime chavista como uma manobra de pressão sobre a sua indústria petrolífera. A carta, dirigida a mais de 20 países que pertencem a ambas as organizações, funciona como um alerta, mas também como uma tentativa de prestar apoio internacional face a um conflito que o governo venezuelano diz ameaçar o equilíbrio energético de toda a região.

Numa carta enviada a Haitham Al-Ghais, o líder chavista afirma que desde agosto os Estados Unidos travam uma “campanha de assédio e ameaças” envolvendo mais de 14 navios de guerra, 15 mil soldados e mais de 20 bombardeamentos “contra pequenas embarcações” que levaram ao “assassinato extrajudicial” de mais de 80 pessoas, segundo a leitura. “Da mesma forma, ao longo destes meses houve persistentes e repetidas ameaças explícitas de força contra o território venezuelano por parte das autoridades dos EUA”, diz o texto.

Como tem sido habitual nas últimas semanas, Maduro transmitiu uma mensagem de resistência: “A Venezuela defenderá firmemente os seus recursos energéticos naturais e não sucumbirá a qualquer chantagem ou ameaça”. E apela aos membros da OPEP para que ajudem a travar “a agressão que está a fermentar com força crescente e a ameaçar seriamente o equilíbrio do mercado energético internacional”.