janeiro 28, 2026
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Escritor e filólogo Carmem Domingo acaba de ser premiado Prêmio Comillas histórias, biografia e memórias para seu novo livro, “Loneliness Was the Price”, uma jornada pela vida Carmem Diez de Riverafigura-chave durante Travessia espanhola. Hoje falaremos sobre pecados mortais:

Eu o perdôo por seu pecado.

– Bem, não sei da presença de nenhum pecado mortal.

Ninguém?

– Não, eu não sei. Talvez nós, catalães, sejamos assim.

Você não gostaria de ter pelo menos um?

– Eu gostaria de falar sobre preguiça. Deitado na cama num domingo de manhã, sem fazer nada. Mas seja como for, acordo às sete da manhã todos os dias.

“Nós, autônomos, não podemos ser preguiçosos”

Então ela é uma pecadora apenas em seus pensamentos.

“Simplesmente não posso me dar ao luxo de ser preguiçoso, não tenho tempo.” Nós, autônomos, não podemos ser preguiçosos.

Portanto, poderíamos argumentar que o antídoto para a preguiça é ser autônomo.

-Completamente.

“Se você gosta da ganância, não se tornará autônomo”

Mas tanto trabalho, tanto trabalho… Vamos ver se eles têm ganância.

— Espero, mas não há correlação com a conta corrente. Voltaríamos ao mesmo ponto: a autonomia impede que você seja ganancioso. Se você gosta da ganância, não se tornará autônomo.

Em última análise chegaremos à conclusão de que a independência nos priva do direito de pecar.

– Bem, isso é tudo. Porque se você trabalha por conta própria, também não pode se dar ao luxo de ser arrogante. Nem raiva porque você perderá clientes.

Nem mesmo luxúria. Se você não consegue nem ficar doente…

– Nada, não há tempo. Nem é gula, não se pode ir a um restaurante com estrela Michelin.

E a inveja? Mesmo que seja para um funcionário ou funcionário.

– Não, não, eu nunca. Acho ótimo que outros queiram fazer isso, mas estou feliz assim.

Concluímos então que a autonomia a priva do direito de pecar.

– Sim, mas felizmente.

“Para mim, o pecado do nosso tempo seria o narcisismo”

Você vai se sacrificar um pouco, o que poderia se tornar um novo pecado moderno?

“Para mim, o pecado do nosso tempo seria o narcisismo.” O que na grande maioria dos casos está intimamente relacionado com a vitimização.

Qual vocês acham que será o pecado da sua profissão, escritores? Alguém que não trabalha por conta própria, senão não me conta nada.

— Você acha que existem escritores que não trabalham por conta própria?

Bem, não sei se haverá escritores pagos, mas talvez haja grandes receitas provenientes de adiantamentos e vendas ou de prêmios. Mas você provavelmente sabe mais sobre isso do que eu…

– Bem, isso dependerá em grande parte do que este escritor quer dizer e de quanto investimento intelectual ele irá pagar. E também que nós, como consumidores, estamos dispostos a assumir que os outros nos condicionam com base no que pensamos que essa pessoa é intelectualmente.

“As críticas negativas não me interessam muito, embora admita que me divertem.”

E um crítico literário? Você precisa de uma certa arrogância para julgar o trabalho?

-Depende. Acontece que as críticas negativas nem sempre me interessam muito, embora, admito, me divirtam. Há tantas coisas boas que nunca conseguiremos, então escrever uma crítica negativa parece uma perda de tempo para mim. Para mim, a falta de atenção é o maior sucesso.

Mas se todas as críticas forem positivas… Será que acabaremos transformando essas páginas em anúncios para editoras?

— Se você tiver a oportunidade de escrever uma resenha toda semana, há espaço para livros bons, livros ruins e livros medíocres. Mas se a sua presença na mídia é mais esporádica, como é o meu caso, prefiro compartilhar o que achei interessante.

Referência