Foi mais um mercado de inverno volátil para a La Liga, ajudado apenas pelos movimentos do Atlético Madrid, que concentrou cerca de 70% do gasto total nos últimos dois dias. O clube rubro-negro pagou 54 milhões de euros por três jogadores (Lukman, Mendoza e … Vargas) e compensou alguns dos números ridículos que até agora colocaram o campeonato nacional atrás de ligas como a grega, a checa ou a belga. O surto final de crescimento de Colchoneros corrigiu parcialmente a situação, embora o investimento de 75,5 milhões que fechou a janela de transferências em Espanha ainda esteja muito longe dos registos dos seus principais concorrentes.
Os dados já confirmam a tendência estrutural. Desde a temporada 2019/20, a última antes da pandemia, os gastos da La Liga em janeiro não ultrapassaram os 100 milhões de euros. Os clubes estão habituados a manter-se discretos e a utilizar este mercado para equilibrar livros e contas sob o estrito controlo económico de Javier Tebas. Se houver complementos disponíveis, será dada prioridade às opções com preço reduzido ou ao agora comum formato de transferência com opção de compra. As grandes operações são de natureza excepcional e tendem a responder mais à necessidade de libertar os actores do que de os fortalecer. Além disso, pelo segundo ano consecutivo, as vendas superam as compras: 121,7 milhões inscritos deixam um saldo positivo de 46,2 milhões de euros, o maior do mundo.
Na liderança dos rebaixamentos, o Atlético Madrid volta a se destacar, concentrando parte significativa da receita graças às transações de Conor Gallagher, que se transferiu para o Tottenham, e de Giacomo Raspadori, que segue para a Atalanta. A isto podemos acrescentar movimentos como o de Carlos Vicente, que foi vendido pelo Deportivo Alavés ao Birmingham City por oito milhões de euros, ou o movimento de Dro Fernandez, que deixou o Barcelona para assinar contrato com o Paris Saint-Germain.
Com um gasto total de 453,1 milhões de euros, a Premier League confirma o seu estatuto de dona absoluta do mercado. Não há sinais de esgotamento na competição inglesa, que mantém os níveis de investimento do ano passado e é quase o dobro da Série A, segunda colocada da classificação com 243 milhões. Sete das dez aquisições mais caras têm carimbo britânico, a tal ponto que o Championship, segunda divisão da Inglaterra, está próximo do top 10 do mundo com 55 milhões gastos, apenas vinte a menos que a La Liga.
Ligas como a brasileira (201 milhões), a americana (144) ou a saudita (93) também figuram nestas primeiras posições, aproximando-se cada vez mais dos padrões do Velho Continente e até ultrapassando neste caso campeonatos consolidados como o francês ou o alemão, muito dependentes do que fazem o PSG e o Bayern Munique, e que se mantiveram nos 105 e 98 milhões de euros respetivamente.
A La Liga está ausente do grupo principal do mercado há algum tempo. Para referência, o gasto médio por clube em Espanha ronda os 3,7 milhões de euros, muito longe da média da Premier League de 18,6 milhões de euros. Nem o Real Madrid nem o Barcelona, os dois gigantes financeiros do campeonato, quiseram participar neste mercado. Além do Atlético Madrid, apenas Valência, Osasuna, Villarreal e Betis ultrapassaram a barreira dos dois milhões de euros em compras.
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1
Primeira Liga 453,17
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2
Série A 243,59
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3
Campeonato Brasileiro Série A 201.55
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4
Liga Principal de Futebol 144,28
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5
Ligue 1 França 105,10
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6
Bundesliga 98,95
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7
Liga Profissional Saudita 93.08
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8
Liga Espanhola 75,50
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9
Superliga Turca 70,52
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10
Liga Portuguesa 59,48
O Manchester City repete o primeiro lugar no ranking de clubes. A equipa de Pep Guardiola investiu 95 milhões de euros em dois jogadores e demonstra mais uma vez a sua capacidade financeira. O Crystal Palace está em segundo lugar com 89,7 milhões, e o terceiro lugar pertence novamente à seleção saudita: depois do Al-Nasr do ano passado, Cristiano Ronaldo é agora ocupado pelo Al Hilal. Além da chegada gratuita de Benzema, a equipa de Simone Inzaghi pagou 66 milhões por mais cinco jogadores. O Atlético está na sexta posição e para encontrar o próximo clube espanhol é preciso descer para a 86ª posição, que é o Osasuna com 5,5 milhões. O Wolverhampton, com saldo positivo de 40,6 milhões, é a equipa que mais aumentou os seus cofres desde este mercado.
Antoine Semenyo, por quem o City pagou ao Bournemouth 72 milhões de euros, torna-se a contratação mais cara desta janela. O segundo lugar vai para a Larsen, adquirida pelo Crystal Palace por 49,5 milhões. A grande novidade vem em terceiro lugar: o Flamengo pagou US$ 42 milhões pela aquisição de Lucas Paquetá, transação que a torna a transferência mais cara da história do futebol sul-americano.