Emblema do século no centro de Valência.
Orchateria Santa Catalina Isto não é apenas um café: é um estabelecimento em Valênciacujas raízes remontam a 1830, quando Vicente Gargallo fundou esta empresa familiar baseada nas tradicionais receitas de horchata de noz de tigre e decorada com cerâmica de Manises.
Localizada na Plaza Santa Catalina, em frente à igreja gótica de mesmo nome, a orciateria é há gerações um ponto de encontro cultural e social para moradores e visitantes.
Polêmica: tradição versus modernidade
O debate atual, impulsionado por leitores e críticos, questiona se certas práticas e decisões recentes, como a utilização de copos de papel ou a oferta menos tradicional de produtos como o chocolate, estão a diluir a essência daquilo que muitos consideram o património imaterial da cidade.
Segundo parecer publicado em Elevador-EMVAlgumas das alterações implementadas no serviço e na apresentação encontraram resistência por parte dos frequentadores que afirmam a autenticidade da experiência original. Isto suscitou um acalorado debate nas redes sociais e entre a comunidade gastronómica valenciana, que vê na orchateria um símbolo que não pode abandonar as suas raízes sem perder muito do seu valor histórico.
O que está em jogo?
No centro da controvérsia está a noção de que algumas modernizações parecem ter mais a ver com critérios comerciais do que com a preservação da tradição. Por exemplo, os copos de papel representam para a crítica uma ruptura com a forma clássica de beber horchata num estabelecimento histórico com ambiente tradicional.
Além disso, a oferta alargada de produtos como o chocolate, embora muito valorizados por alguns turistas, para outros desvia a atenção do protagonista original: a horchata acompanhada de peidos, combinação que define as horchaterias valencianas há mais de 200 anos.
Valor cultural do orchateria histórico
A Horchata de chufa, bebida emblemática da comunidade valenciana, é consumida nas horchatas locais há gerações. A cultura gastronómica valenciana considera-o um elemento de identidade, especialmente quando é servido em estabelecimentos clássicos que aderem aos métodos de cozinha tradicionais.
Orchaterias como Santa Catalina encarnam esta tradição não só pela sua idade, mas também pelo seu ambiente, que combina arquitectura histórica, cerâmica artesanal e a proximidade do centro histórico de Valência – um património cultural que vai além da bebida em si.
Um olhar de dentro
Ao contrário dos críticos, aqueles que apoiam a evolução do espaço defendem que as mudanças são uma resposta à necessidade de adaptação a um público globalizado, competitivo e exigente. Eles ressaltam que oferecer opções mais modernas ou formatos adequados a quem visita a cidade pode garantir a viabilidade econômica do negócio no longo prazo, preservando assim a marca Santa Catalina.
Esta visão afirma que uma horchatería não pode ser um museu estático, mas sim um espaço habitacional que combina tradição com inovação, sem perder de vista as suas raízes. A chave para este grupo não é rejeitar toda a modernização, mas encontrar um equilíbrio respeitoso.
Tradição em perigo ou evolução necessária?
O debate sobre a essência da Horchatería Santa Catalina levantou uma questão mais ampla: como deve evoluir um estabelecimento tradicional face às exigências do mercado moderno? A resposta não é única e dependerá da avaliação que a sociedade e os clientes fizerem dos aspectos culturais versus económicos.
Uma coisa é certa: preservar espaços históricos de alimentação envolve não só preservar receitas, mas também compreender como esses locais se enquadram na memória coletiva da cidade. Neste sentido, o debate em Valência reflecte um desafio global: proteger o que nos define sem impedir o crescimento sustentável das tradições vivas.