janeiro 18, 2026
1504087276-U20862806810tXC-1024x512@diario_abc.jpg

Em Castela-La Mancha, a entrada em vigor da nova estrutura judicial prevista no Lei de Eficiência da Justiça o início está envolto em incerteza, confusão e receios partilhados pelos advogados de que a reforma, pelo menos a curto prazo, irá abrandar. especialmente o funcionamento dos tribunais.

Da Ordem dos Advogados de Toledo, o primeiro a se destacar é o seu reitor, José Luis Corrociano Vallejo. “esforço sobre-humano” que são realizadas por advogados do Departamento de Justiça, bem como por gestores e funcionários de instituições judiciárias com o objetivo de introduzir o novo modelo em muito pouco tempo.

Uma mudança que, como explica, não deixa de ser importante, uma vez que o desaparecimento dos tribunais individuais e a sua integração em tribunais inferiores exige transformação completa da forma de trabalhar e processar.

Este processo, alerta Corrociano, terá consequências imediatas. “No curto prazo, haverá uma paralisia da justiça durante um a dois meses”, salienta, uma vez que os casos terão de ser redistribuídos e os funcionários que agora administram procedimentos que anteriormente não estavam sob a sua jurisdição terão de recuperar o atraso. Uma situação que pode sobrecarregar ainda mais os litigantes já estressados devido à falta de juízes, funcionários e instalações.

O alerta é claro: sem reforço de pessoal, de meios tecnológicos e de um verdadeiro orçamento, a reforma terá lugar. o risco de permanecer uma boa ideia, mas mal implementada.

Visão semelhante é partilhada pelo Presidente do Conselho Regional de Advogados de Castela-La Mancha, Ángel Cervantes, que alerta que estas mudanças são percebidas como “operação de maquiagem” se não for acompanhado de recursos. Cervantes destaca a confusão geral entre funcionários, juristas, advogados e até forças de segurança, causada, como explica, pela falta de informação e planeamento antecipado.

“A reforma é importante e afecta a estrutura judicial”, observa, mas utilizando os mesmos meios humanos e técnicos. “Chamar o que era um tribunal de tribunal de primeira instância não resolve nada.”. Em vez disso, ele teme que estas mudanças organizacionais acabem por “tornar ainda mais pesada a já lenta roda da justiça”.

Investimentos necessários

A lei já mudou a forma como a justiça é organizada e operada, ao colocar em jogo a gestão de pessoal, instalações, sinalização e serviços ao cidadão, que é exactamente o que surgem problemas práticosembora o texto tenha sido criado para evitar o colapso de alguns tribunais, enquanto outros são subutilizados.

Assim, ambas as vozes de Castela-La Mancha, onde os poderes de administração da justiça dependem do governo central e não do governo regional, concordam que a chave não é o desenvolvimento teórico da lei, mas a sua aplicação prática. E a reforma pode funcionar a médio e longo prazo, mas apenas se isso for acompanhado por um investimento sustentável e uma transição ordenada. Caso contrário, a reabertura dos tribunais inferiores em Castela-La Mancha corre o risco de novos atrasos num sistema judicial já esgotado.

Referência