janeiro 18, 2026
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Hoje em dia, em Espanha e na Europa, falamos frequentemente de segurança e defesa, mas raramente pensamos no que realmente significa defender um país. A defesa nacional não é apenas um conjunto de capacidades militares e não catálogo de ameaças externas. É, acima de tudo, uma forma de compreender o serviço público. Acreditamos que aqueles de nós com responsabilidades institucionais devem agir com um profundo sentido de dever, reconhecendo que as nossas decisões afectam a estabilidade, a coesão e a confiança de toda a sociedade.

A primeira linha de defesa de um país, para além das suas fronteiras, é o comportamento das suas instituições. Um Estado forte não se cria de improviso: constrói-se com base no carácter exemplar, no respeito pela lei, na transparência e na colocação da vontade do interesse comum acima de quaisquer cálculos partidários. Quando a política se deteriora, quando as instituições são utilizadas como instrumentos de confronto ou divisão, a defesa nacional sofre. E quando a política é feita com responsabilidade, calma e visão de Estado, a segurança de todos se fortalece.

Hoje precisamos de uma política que entenda a segurança como uma responsabilidade colectiva. Não basta ter bons profissionais nas nossas Forças Armadas – e nós os temos – ou confiar nas capacidades técnicas das nossas forças de segurança. A defesa exige que a política seja acertada: que planeie, que coordene, que ouça os especialistas e que aja com previsão. Exige que as administrações cooperem entre si, reforcem os mecanismos de controlo e protejam a independência dos órgãos que garantem o bom funcionamento do Estado.

A segurança nacional também tem uma dimensão moral. Isto significa transmitir aos cidadãos que Espanha é um projeto que merece cuidado, respeito e proteção. Envolve fomentar a responsabilidade, a convivência e a importância de preservar o que nos une. E aqui a política tem uma tarefa insubstituível: ser exemplo. Não se pode pedir compromisso se aqueles que representam os cidadãos não o praticam primeiro.

De acordo com a opinião partilhada por muitos de nós, a defesa nacional está intimamente ligada à unidade constitucional, à igualdade dos espanhóis e à força do Estado de direito. A segurança não pode ser alcançada questionando as regras do jogo se as instituições estiverem enfraquecidas ou se as divisões territoriais se intensificarem. A segurança nacional exige coesão, estabilidade e um quadro jurídico respeitado por todos. E exige também uma política que não abandone a moderação, o diálogo e a procura de acordos quando estão em jogo os interesses fundamentais do país.

Neste contexto, as nossas Forças Armadas representam um exemplo do que deve ser o serviço público: profissionalismo, neutralidade, disciplina e vocação para o país. O seu prestígio lembra-nos que a defesa não é um conceito abstrato, mas sim um compromisso diário com a segurança e o bem-estar dos cidadãos. Mas o seu trabalho só poderá ser plenamente desenvolvido se as instituições que os governam agirem de forma clara, consistente e com um sentido de Estado.

Defender Espanha é muito mais do que apenas responder a uma crise. É previsão, planejamento, união e comunicação honesta. Ele está a construir um país que funciona, que inspira confiança e que pode proteger os seus cidadãos num ambiente cada vez mais incerto. E isto pressupõe, antes de mais, que a protecção comece na política: na forma como é administrada, na forma como é legislada, na forma como é governada.

A defesa nacional não é um conceito técnico. É uma atitude. Uma forma de entender o serviço público. O desejo de construir um futuro mais seguro, mais unido e livre. E essa vontade, para ser real, deve começar por aqueles de nós que têm o privilégio de representar os cidadãos.

Agustín Parra É deputado nacional do PP por Barcelona, ​​membro da Comissão Mista de Segurança Nacional. Promoção do curso LIII de defesa nacional.

Referência