fevereiro 9, 2026
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Candidato presidencial português António José Seguro – Europa Imprensa/Contato/Henrique Casinhas

MADRI, 8 (EUROPA PRESS)

O candidato apoiado pela esquerda, António José Seguro, venceu a segunda volta das eleições presidenciais de Portugal com 66,82% dos votos, em comparação com os 33,18% recebidos por André Ventura, candidato e líder do partido de extrema-direita Chega, depois de obter 99,2% dos votos.

“Esta vitória tem uma conotação muito especial porque é a eleição do presidente da república”, disse Seguro à imprensa a partir do Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha, a norte de Lisboa. “Os portugueses são as melhores pessoas do mundo”, acrescentou, antes de declarar o seu objectivo: “ajudar a servir”.

Sem dúvida que com esta contagem obteve um total de 3.480.158 votos, obtendo um recorde histórico de apoio, à frente dos 3.459.000 votos que Mário Soares obteve nas eleições de 1991.

O rival de Seguro, Ventura, também se pronunciou, dizendo que durante a campanha, “procurava uma linha alternativa para dizer o que é preciso mudar neste país”, mas “apesar de um aumento muito significativo tanto em relação às eleições legislativas como à primeira volta (…), não consegui fazer aquilo que defendia, que era vencer esta eleição”.

Ventura defendeu “a continuação do trabalho de convencimento do país da necessidade destas mudanças” e indicou que felicitaria Seguro quando os resultados fossem definitivos. “Temos opiniões, ideias, modos de vida diferentes. Temos ideias diferentes sobre Portugal, mas quando as pessoas falam, as pessoas têm soberania. Se as pessoas elegerem António José Seguro, ele será o presidente, e espero que seja um bom presidente”, afirmou.

O Presidente cessante, Marcelo Rebelo de Sousa, felicitou Seguro e anunciou que o receberá na segunda-feira, às 16h00. O Presidente “telefonou a António José Seguro para o felicitar pela vitória nas eleições presidenciais e desejar-lhe as maiores felicidades e sucesso no cumprimento do mandato que os portugueses lhe confiaram”, afirmou a administração presidencial.

Por seu lado, o primeiro-ministro de Portugal, o conservador Luís Montenegro, felicitou Segura como garante do “espírito de convergência” e garantiu que o governo demonstrará ao novo chefe de Estado “toda a sua disponibilidade” e “cooperação” no serviço aos portugueses.

A cooperação será “a nota dominante que garante a estabilidade política em Portugal”, bem como a “estabilidade económica, financeira e social”.

O secretário-geral do Partido Socialista, José Luis Carneiro, enfatizou a “vitória da esperança sobre o ressentimento” alcançada por Seguro. “Hoje a democracia voltou a vencer”, assinou Carneiro, que acredita que Seguro, tal como Mário Soares ou Jorge Sampaio, “será o presidente de todos os portugueses”.

“Quase dois terços dos portugueses gostariam de ver um presidente que defendesse os valores constitucionais. Esta é uma vitória de todos os humanistas”, afirmou.

PARABÉNS INTERNACIONAIS

Provavelmente já foi felicitado pela Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que enfatizou a “notável resistência democrática” do país. “Os cidadãos de Portugal fizeram ouvir as suas vozes apesar da devastação causada pelos furacões e demonstraram notável resiliência democrática. A voz de Portugal na defesa dos nossos valores europeus comuns continua forte”, escreveu von der Leyen.

Na mesma linha, o presidente do Conselho Europeu e também o socialista português António Costa felicitou Seguro e desejou-lhe “muito sucesso na implementação do seu mandato”. Sublinhou ainda que este resultado “confirma que Portugal é um pilar do humanismo europeu”.

O presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu “trabalhar em conjunto para fortalecer os laços entre Portugal e França”. “Ao serviço dos franceses, dos portugueses e de uma Europa que decide por si, mais competitiva, mais soberana, mais poderosa!” – ele declarou.

Os resultados oficiais divulgados pelo Ministério da Administração Interna do governo português incluíram também uma taxa de participação de 50,11 por cento, bem como números de votos em branco (3,17%) e zero (1,78%).

O dia das eleições foi marcado por um furacão que afetou gravemente o país e levou até a pedidos de adiamento do processo de votação.

Mais de onze milhões de eleitores foram chamados às urnas após a votação de 18 de janeiro, quando Seguro obteve 31,11% dos votos e Ventura 23,52%.

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