Numa região caracterizada pela centralização tecnológica, a Universidade de Tarapacá pretende mudar esta lógica em relação a Arica. Em Junho, a instituição planeia abrir o maior centro de supercomputação do país, uma infra-estrutura que não só visa descentralizar a investigação científica, mas também reduzir a dependência de serviços externos e expandir as capacidades do país em inteligência artificial.
O anúncio foi feito pelo Vice-Reitor de Desenvolvimento Estratégico da Universidade de Tarapacá (UTA), Patricio Zapata Valenzuela, no primeiro dia do Congresso Futuro 2026, que, como palestrante, destacou que: “Este será o maior centro de supercomputação do país e um dos mais importantes da América Latina”. A afirmação ocorreu durante sua participação no Estudo com a imprensa local de um evento científico.
“O convite do Congreso Futuro foi uma oportunidade para falar sobre descentralização tecnológica a partir de um projeto muito relevante que estamos desenvolvendo na Universidade de Tarapacá”, disse Zapata. O centro, atualmente licitado para obras, prevê a instalação de 12 servidores equipados com oito GPUs NVIDIA H200 cada, interligados pelas tecnologias InfiniBand e NVLink. A entrada em serviço está prevista para junho de 2026.
O projeto faz parte de uma estratégia para reduzir a dependência de serviços de computação em nuvem, como os oferecidos por grandes empresas de tecnologia. “Microsoft, Amazon, Google oferecem esses tipos de serviços, mas é muito difícil para os pesquisadores chilenos acessá-los por causa do custo”, disse Zapata. Como explicou, ter infra-estrutura própria reduzirá significativamente os custos operacionais: as poupanças estimadas serão de mais de 60 milhões de dólares em cinco anos.
A computação de alto desempenho (HPC) permite o processamento de grandes volumes de dados necessários para desenvolver tecnologias como a inteligência artificial (IA). “A IA não poderia ser desenvolvida sem o processamento desta informação através de centros de supercomputadores, pelo que a investigação científica do nosso país e o desenvolvimento da inteligência artificial são estimulados por centros de alto desempenho”, explicou o vice-reitor.
A iniciativa faz parte de uma rede de cooperação institucional. A UTA mantém convênio com o Centro Nacional de Inteligência Artificial (CENIA) e participa de projetos nacionais como o SCAI-Lab, financiado pela Corfo no valor de quase 7 bilhões de pesos, nos quais colaboram 65 instituições. Zapata é membro do conselho de administração do consórcio que representa a universidade.
“O centro UTA está nos custando cerca de 5,2 bilhões de pesos. Está sendo construída uma capacidade computacional que será muito relevante, o que nos permitirá colmatar parcialmente esta lacuna com os países mais desenvolvidos e ser mais independentes em termos de investigação na nuvem”, disse.
Zapata também destacou que a Universidade de Tarapacá possui uma política institucional focada no desenvolvimento estratégico regional. Este investimento foi possível porque a UTA possui um sistema de gestão estratégica implementado. “Nosso compromisso está relacionado à descentralização tecnológica”, enfatizou. A este respeito, concluiu que “a alta direção da Universidade de Tarapacá, a aliança com o CENIA, a concepção do Instituto Superior de Investigação e o financiamento conjunto com o Ministério da Educação tornaram possível este importante projecto”.