janeiro 24, 2026
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Que o Atlântico se prepare, porque um século depois lá vamos nós de novo. Piloto Victor Jauregui SerranoCom 49 anos de trabalho árduo, o capitão da 31ª Ala de Transporte Aéreo prepara o que será seu corcel para a próxima aventura da Força Aérea e da aviação. Espaço. Seu A400M, um colosso capaz de transportar 37 toneladas de carga para o outro lado do globo, cruzará o grande céu azul no dia 24 de janeiro para marcar o centenário de um dos maiores feitos da história aeronáutica espanhola: o voo transatlântico do hidroavião Plus Ultra para a Argentina em 1926. “Seguir os passos desses mitos me deixa extremamente orgulhoso. juventude”, diz ele.

Os militares não voarão sozinhos. Kharegui fará parte da missão internacional…Plus Grupo Aéreo Ultra Expedicionário' – pronto e disposto a viajar mais de 20.000 quilômetros em apenas duas semanas. “O plano de voo será semelhante ao plano Plus Ultra. Com este grande comboio aéreo faremos escalas no Rio de Janeiro (Brasil), Montevidéu (Uruguai) e Buenos Aires (Argentina)”, explicou também o capitão à ABC. Gabriel Navarro De Castro. O madrilenho de 34 anos não esconde o entusiasmo com esta missão: “É a segunda vez que atravesso a lagoa!” Ele fará isso como piloto de patrulha da ASPA para a 78ª Ala de Transporte Aéreo, a unidade de helicópteros acrobáticos das Forças Aeroespaciais do Exército. “Transportaremos seis helicópteros Eurocopter EC120 Colibri embalados em dois A400M. Em cada cidade iremos descarregá-los e organizar um show aéreo. “Este será um marco único”, afirma.

Esta operação internacional, que Jauregui e Navarro aguardam com genuíno entusiasmo, é apenas um dos muitos eventos que a Força Aérea organizará em 2026 para comemorar o centenário dos chamados “Grandes Voos Espanhóis”. Oito “raids” – viagens esportivas de longa distância – ocorreram entre 1926 e 1935 e marcaram um marco na aeronáutica nacional e internacional. “Vamos começar com a celebração em Sevilha de um congresso e exposição sobre este tema. Estes dois eventos, juntamente com a cerimónia de apresentação oficial, servirão de ponto de partida para celebrações específicas para cada um dos voos”, explica o General de Divisão ABC. José Luis Figuero AguilarChefe do Serviço Histórico e Cultural do Exército Aeroespacial (ICSVA).

Salte sobre o Atlântico

E tudo isso tendo como pano de fundo a façanha do Plus Ultra; um épico que começou em 1926, quando Ramon Franco decidiu quebrar o recorde mundial de distância entre a Espanha e a América. Com o apoio do rei Alfonso XIII, o irmão de Francisco Franco também adquiriu um hidroavião Dornier Do J Wal e equipou-o com alguns dos motores mais potentes do mercado. Depois disso, bastou montar uma equipe de gente corajosa: o copiloto Julio Ruiz de Alda, o navegador Juan Manuel Duran e o mecânico Pablo Rada. No dia 22 de janeiro decolaram de Palos de la Frontera, em Huelva, e percorreram sete etapas até Buenos Aires. Foi um pesadelo, mas após 59 horas e 39 minutos de voo alcançaram o objetivo. “Estudamos isso na academia. Foi um marco para a aviação global e os tornou heróis”, diz Navarro.

Imagem Secundária 1: Implantação de helicópteros Colibrí em aeronave A400M. Abaixo: Dois helicópteros da Patrulha Aspa durante a exposição. Ao lado dele está o capitão Gabriel Navarro de Castro.
Imagem Secundária 2: Implantação de helicópteros Colibrí em aeronave A400M. Abaixo: Dois helicópteros da Patrulha Aspa durante a exposição. Ao lado dele está o capitão Gabriel Navarro de Castro.
Implantação de helicópteros Colibrí nas aeronaves A400M. Abaixo: Dois helicópteros da Patrulha Aspa durante a exposição. Ao lado dele está o capitão Gabriel Navarro de Castro.
EXÉRCITO AÉREO E ESPACIAL

Organização, administração, licenças internacionais… Não acredite que seja fácil mobilizar um comboio deste porte. Segundo Navarro, a primeira tarefa será a introdução de três helicópteros no A400M; feito logístico: “Já praticamos isso no ano passado em Gran Canaria durante o Dia das Forças Armadas. Para isso teremos que retirar três lâminas, o estabilizador horizontal e o topo do leme vertical. Assim ganhamos 30 centímetros. Eles vêm com muita honestidade! Uma dúzia de mecânicos de patrulha da ASPA estarão encarregados do trabalho.

Apenas não o suficiente para mimar seis EC-120B Kolibri – cinco titulares e um reserva – que participarão de exposições. “São unidades de turbina monomotor com potência de cerca de 500 cv. São muito leves – apenas mil quilos – e sua principal função na Base Aérea de Armilla é o treinamento de vários exércitos, além de acrobacias”, explica Navarro.

“A natureza da viagem envolve um longo voo sobre a água, por isso algumas considerações preliminares precisam ser feitas.”

Victor Jauregui Serrano

Os sentimentos de Jauregui também serão testados: “A natureza da viagem é um longo voo sobre a água, por isso algumas considerações preliminares devem ser feitas”. Embora admita que os desafios são diferentes daqueles que a equipe Plus Ultra teve que resolver. “O nível de exigência não tem nada a ver com o nível dos nossos pioneiros. Se algo falhar hoje, temos um plano B, C e até D. Há um século, o componente de incerteza era muito maior”, afirma. No trecho entre Cabo Verde e a ilha brasileira de Fernando Noronha, por exemplo, a tripulação foi obrigada a aliviar o peso – deixando um membro no solo – para garantir uma decolagem segura. Faz sentido, já que carregaram o aparelho com o combustível necessário para percorrer 2.600 quilômetros em mar aberto.

O piloto do A400M lembra que os quatro tripulantes enfrentaram enormes desafios: “A aviação era uma disciplina jovem que ainda precisava ser desenvolvida e tinha muito que aprender. Eles estavam na vanguarda da tecnologia na época, mas o conhecimento de meteorologia ou de suporte a sistemas de navegação não estava no nível que está agora. Navarro também não esconde a surpresa ao relembrar esse feito: “Eles usavam uma bússola, um rádio (se tivessem sorte)… e muita coragem. Hoje temos aviônicos invejáveis. “É quase como se estivéssemos voando em um avião comercial.” Embora o que mais o surpreende é que os irmãos Franco e Alda embarcaram numa aventura “apesar de terem passado apenas duas décadas desde o nascimento da aviação” juntamente com os irmãos Wright.

Semelhanças e diferenças

O burro de carga com que partirá a expedição nada tem em comum com o antigo anemômetro e bússola magnética Plus Ultra. Jauregui tem dificuldade em imaginar isto: “Comecei num Hércules, um avião com 40 anos. “Quando mudámos para o A400M, senti como se estivesse a conduzir algo completamente diferente.” Ele está convencido de que pilotar um avião centenário deve ter sido um verdadeiro desafio. “Naquela época, era preciso conhecer cada detalhe da aeronave, além de ter intuição e engenhosidade para conseguir sair de todas as situações comprometedoras em que pudesse se encontrar.” Por sua vez, segundo ele, a automação prevalece hoje. “Existem procedimentos para tudo. Em busca de segurança, o piloto passou a ser mais um gestor do que um aventureiro”, finaliza.

Plus Ultra na água em 1926.

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Ambas as viagens são muito semelhantes ao caminho a seguir. Tanto é que quando Jauregui apresentou a missão à sua equipe, ele o fez com um mapa da época mostrando o percurso original. “Faremos escala em Cabo Verde, como fizemos há cem anos, mas não vamos aliviar o avião e não deixaremos uma única tripulação em terra. No nosso caso, reabasteceremos e nos encontraremos para cruzar o Atlântico. A próxima parada será em Fortaleza e não em Recife. Depois chegaremos ao Rio de Janeiro, como era então. Em poucos dias saltaremos para Montevidéu e depois para Buenos Aires, refazendo a trajetória de vôo a que prestamos homenagem”, finaliza.

“Os céus não têm limites e, nesta jornada, a nossa história partilhada continuará a ser escrita à medida que avançamos para o futuro.”

Gabriel Navarro De Castro

Embora não esperem ser recebidos por uma multidão apaixonada como naquela época, Navarro está confiante de que esta viagem trará surpresas e espetáculos aos habitantes da cidade. Ele se esforça para isso com seus Beija-flores! “Não vamos nos exibir no Brasil, no Uruguai e na Argentina, vamos nos encontrar. O céu não conhece fronteiras e, através desta viagem, nossa história compartilhada continuará sendo escrita no futuro”, finaliza.

Referência