fevereiro 2, 2026
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Galerias de arte em Espanha acordaram esta segunda-feira fechadas com um cartaz que dizia “Introduza o IVA sobre a cultura, agora!”, no início de uma greve de uma semana para protestar contra o IVA de 21% que continuam a pagar, apesar de uma directiva da UE que propõe uma redução do IVA.

“Estimamos que mais de 200 galerias fecharam em todo o país e colocaram o sinal final nas suas contas do Instagram. Não podemos continuar assim”, explicou à EFE Idoya Fernandez, presidente do Consórcio de Galerias de Arte Contemporânea e principal promotora da iniciativa.

A decisão de encerramento foi tomada há várias semanas numa assembleia do Consórcio, apesar do silêncio dos ministérios da Cultura e das Finanças, que há anos exigem a redução do IVA cobrado na venda de obras de arte. “Isto é um enorme insulto comparativo a outros países europeus e a outras formas de arte, como a música, o cinema ou o teatro. Não podemos continuar assim”, sublinhou.

O IVA artístico mais elevado da UE.

Espanha é um dos poucos países europeus que continua a cobrar 21% de IVA nas compras de arte, enquanto a UE permite IVA reduzido e quando praticamente todos os países vizinhos já adotaram taxas de IVA de 5 a 8%, o que os galeristas dizem que torna “impossível” competir no mercado europeu.

Desde que a Diretiva do Imposto sobre o Valor Acrescentado da UE entrou em vigor, há um ano, França, Itália, Alemanha, Luxemburgo, Bélgica e Portugal já adotaram IVA reduzido (5,5%, 5%, 7%, 8% e 6%, respetivamente), enquanto Espanha continua a aplicar 21%. Neste momento, o governo não tem planos para transpor a directiva.

Assim, Fernández salienta que “o mesmo artista que vende a sua obra numa galeria espanhola e outra no estrangeiro será muito mais barato fora de Espanha do que dentro de Espanha”.

Suporte empresarial

Embora Fernández esteja satisfeito com o sucesso do encerramento, não está muito optimista quanto à eficácia da proposta, já que durante muitos anos o governo assumiu a posição de “não ouvir, não ouvir, não responder aos nossos pedidos. Faz muito tempo que estamos em silêncio e parece que agora as coisas vão ser diferentes”.

As galerias salientam que dentro de algumas semanas terá lugar a ARCOmadrid, a maior feira de arte contemporânea de Espanha, na qual, além das galerias espanholas, participarão muitas outras de França, Itália, Portugal e outros países que cobram IVA reduzido. “São justamente nesses quatro dias de Arco que a diferença é mais sentida, é mais perceptível e causa mais danos”, lamentou Fernández.

Por outro lado, o Círculo de Empresarios apoia a greve das galerias espanholas, noticia a Europa Press. A instituição patronal juntou-se às reivindicações das galerias e publicou um relatório de aquisição que pede também uma redução do IVA na venda de arte, antiguidades e artigos de coleção, à semelhança do que acontece na maioria dos países da UE.

“Isto limita o desenvolvimento de um mercado cultural dinâmico, acessível e competitivo”, afirmam fontes do Círculo de Empresarios, que insistem que “impor uma sanção fiscal às artes equivale a punir uma indústria capaz de gerar valor económico, emprego qualificado e projeção internacional”.

Referência