Castela e Leão não ficam devastadas, ficam sem futuro quando são expulsas. Esta não é apenas uma questão demográfica ou estatísticas frias de declínio populacional; Este é um problema político, económico e moral. Todos os anos, milhares de jovens instruídos fazem as malas. … com destino a Madrid, País Basco, Catalunha ou estrangeiro. Não porque queiram partir, mas porque aqui não conseguem encontrar habitação acessível, trabalho estável, habitação digna ou um horizonte de vida que lhes permita ficar. E o mais grave é que muitos deles não voltam.
Em vésperas das eleições regionais, vale a pena dizer isto claramente. O futuro de Castela e Leão está a ser decidido em grande parte em duas frentes estreitamente relacionadas. O primeiro é a habitação. Em segundo lugar, reter e atrair jovens talentos. Um não pode ser resolvido sem o outro.
O acesso à habitação tornou-se uma barreira silenciosa mas decisiva. Rendas desproporcionais nas capitais provinciais, um mercado insuficiente e políticas governamentais tímidas transformaram o que deveria ser um direito num privilégio. Para um jovem que inicia a vida profissional, pagar mais de 40% do seu salário em aluguel é uma sentença à instabilidade eterna. Sem habitação não haverá projecto vital; Sem um projeto vital não há raízes.
Contudo, o problema da habitação não é um problema isolado. Cruza-se com um mercado de trabalho que não consegue absorver os formandos das nossas universidades. Castela e Leão está a investir na educação, mas outros territórios também estão a colher os benefícios. A comunidade atua inadvertidamente como um pool de talentos para terceiros. Isto não é solidariedade interterritorial, é uma fuga.
Os partidos políticos que pretendem governar não podem limitar-se a fazer promessas gerais ou a levantar slogans bem-intencionados. Precisam de propostas específicas e ousadas. É essencial desenvolver um plano governamental para arrendamento de habitação para jovens, ligado ao emprego estável e à cooperação com os municípios. Da mesma forma, são necessários verdadeiros incentivos fiscais para as empresas que contratam e retêm trabalhadores qualificados localmente, especialmente fora dos grandes centros urbanos.
Além disso, devemos abandonar a visão nostálgica que confunde identidade com fixidez. Castela e Leão protege-se não olhando apenas para o passado, mas confiando na inovação, na indústria verde, na digitalização e na economia do conhecimento. O mundo rural não precisa de discursos épicos, mas de serviços, conexões e oportunidades reais.
Esta eleição não se trata apenas de quem consegue gerir melhor o que existe, mas também de quem se atreve a mudar de rumo. Ou Castela e Leão decidirão ser um lugar para viver e planear uma vida, ou permanecerão um lugar para onde ir embora. Ter um futuro não é um slogan, é uma decisão política. E agora chegou o momento em que devemos aceitá-lo e exigi-lo.