fevereiro 11, 2026
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A redução da jornada de trabalho para 40 horas no México, uma reivindicação histórica dos trabalhadores que se tornou o carro-chefe do governo de Claudia Sheinbaum, está cada vez mais próxima da aprovação. Em maio de 2025, o Presidente anunciou o início de um diálogo entre organizações públicas, sindicatos e empregadores para chegar a um acordo que reduziria as 48 horas semanais estabelecidas pela adoção da Constituição de 1917. Em dezembro passado, o governo federal enviou ao legislativo uma iniciativa para atingir a meta de 40 horas, medida que beneficiaria os 13,5 milhões de trabalhadores no México cujas horas de trabalho excedem esse valor. A decisão está prevista para ser discutida no Senado na próxima semana e associações civis exigem que sua implementação seja acelerada.

Redução gradual

O despacho do governo federal determina que a redução da jornada de trabalho ocorrerá de forma gradual, subtraindo duas horas por ano a partir de 2027, para atingir a meta de 40 horas semanais em 2030. A proposta justifica a transição como um processo gradual que permitirá às empresas ajustar seus processos sem comprometer a produtividade.

“Há uma parte da sociedade que pode ter-se esforçado imediatamente pelas 40 horas. O Presidente deixou bem claro que esta deve ser uma proposta gradual e coordenada (…) Durante este período, as empresas devem fazer todas as alterações para que, a partir de 1 de janeiro de 2027, as primeiras duas horas sejam incluídas na redução da jornada de trabalho”, explicou Marat Bolaños, ministro do Trabalho, em entrevista a este jornal no passado mês de dezembro.

Ano Jornada de trabalho (horas)
2026 48
2027 46
2028 44
2029 42
2030 40

Dois dias de descanso obrigatórios, ótimos que virão

Um dos objetivos prioritários da reforma é estabelecer formalmente dois dias de descanso obrigatório por semana, o que é impossível para milhões de trabalhadores ao abrigo da lei atual, que estabelece um máximo de 48 horas de trabalho por semana com até oito horas por dia. No entanto, uma das principais críticas à iniciativa por parte de grupos cívicos e sindicatos é que a proposta, que será debatida no Senado, não inclui alterações no texto da Constituição, que estabelece um dia de descanso para cada seis dias úteis da semana. “Deixamos a nível constitucional 40 horas semanais e ao mesmo tempo 8 horas diárias de trabalho. Queremos também que haja alguma flexibilidade a favor dos trabalhadores que decidem (…) como será a sua jornada de trabalho”, explicou Bolaños a este respeito.

Aumento de horas extras

A reforma estipula que as horas extraordinárias não podem exceder 12 horas semanais, “as quais podem ser distribuídas até quatro horas diárias num máximo de quatro dias desse período”. Trata-se de um aumento na quantidade de horas extras permitidas acima do limite de três horas diárias estabelecido três vezes sucessivamente na Constituição. O texto também afirma pela primeira vez que menores de 18 anos não poderão realizar horas extras. A remuneração dos trabalhos extraordinários permanece a mesma, com acréscimo de 100% das horas extras dentro dos limites previstos. Caso esse máximo seja ultrapassado, as horas subsequentes serão pagas com adicional de 200%, ou seja, o triplo do valor.

“Vimos que havia certas atividades económicas que pagavam muito bem as horas extraordinárias e que eram repetitivas, então o que fizemos foi, ao encurtarmos a jornada normal de trabalho, íamos permitir mais três horas extraordinárias, então íamos aumentar as horas extraordinárias de 9 para 12 horas.”

Registro eletrônico do tempo trabalhado

A iniciativa prevê a criação de um registo eletrónico obrigatório para as empresas, medida que ajudará a fiscalizar o cumprimento da redução do horário de trabalho, a partir de 1 de janeiro de 2027, quando entrar em vigor a primeira redução de duas horas.

Referência