janeiro 26, 2026
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A Venezuela libertou este domingo 104 pessoas, a maioria provenientes de prisões no interior do país, e os defensores dos presos continuam a confirmar mais libertações. Desde 8 de Janeiro, 258 pessoas foram libertadas sob medidas cautelares num processo de libertação lento, de acordo com ONG que acompanham os casos de detidos. O governo chavista, sob pressão dos Estados Unidos após a captura de Nicolás Maduro e em meio a protestos de familiares que estão de plantão em frente às prisões, aumenta para 626 o número de pessoas libertadas.

Entre os libertados este domingo está Kennedy Tejeda, advogado do Foro Penal, uma ONG que teve grande sucesso nas últimas semanas na defesa de presos políticos. Tejeda foi preso em agosto de 2024 quando se dirigiu à sede da polícia para se oferecer como advogado de defesa de um manifestante detido durante protestos contra os resultados das eleições presidenciais em que Maduro se declarou vencedor. Dois outros proeminentes defensores dos direitos humanos ainda estão na prisão: Javier Tarazona, da Fundaredes, e Eduardo Torres, da Provea.

A plataforma unitária, que une os partidos da oposição que apoiam a líder Maria Corina Machado, foi renovada esta semana para defender os presos políticos e juntar-se aos protestos e piquetes realizados por familiares dos detidos. A organização contabilizou 258 pessoas libertadas desde 8 de janeiro e afirma que faltam libertar mais 854 pessoas. “Exigimos processos de libertação massivos, públicos e transparentes que garantam a liberdade de TODOS os presos políticos”, escreveram na conta X da Plataforma Unitária.

Antes da libertação de 104 pessoas neste domingo, o Fórum Penal ainda contabilizava 777 presos políticos. No total, Justicia Encuentro y Perdón soma mais de 900. Os números não são consistentes entre as organizações e variam ainda mais quando comparados aos números oficiais.

A presidente em exercício, Delcy Rodriguez, garantiu na semana passada que 626 pessoas foram libertadas, número que também inclui as libertações concedidas no final de dezembro. Os activistas dos direitos humanos condenaram, com base noutros julgamentos semelhantes, que o governo cite rotineiramente números que excedem largamente as libertações reais e que, em alguns casos, tenham sido aplicadas medidas de liberdade a pessoas não classificadas pelas ONG como prisioneiros políticos. Ao mesmo tempo, ocorreram novas detenções de pessoas cujas famílias não ousaram denunciar os seus casos por medo de represálias.

A falta de listas oficiais, além das compiladas por familiares e advogados, torna o processo de libertação um processo opaco. Além da falta de transparência, foi relatado que em nenhum caso foi concedida liberdade total. A maioria emitiu restrições à divulgação pública dos seus casos aos meios de comunicação social, ordens de comparecimento em tribunal e proibições de deixar o país. O processo de verificação por parte das organizações de direitos humanos também leva tempo, atrasando os anúncios e contagens globais. Rodriguez disse que pediria ao Alto Comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk, que revisasse as listas quando falasse com a autoridade nesta segunda-feira.

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