janeiro 16, 2026
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Uma equipa de investigação do Instituto Multidisciplinar de Estudos Ambientais Ramon Margalef (IMEM) da Universidade de Alicante (UA), em colaboração com investigadores da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria (ULPGC), confirmou pela primeira vez a presença de microalgas. Gambierdiscus do Sul na costa da península espanhola, especialmente em Dénia e Javeaao norte da província de Alicante. A espécie pertence a um grupo de dinoflagelados marinhos que produzem ciguatoxinas, um conjunto de toxinas associadas à intoxicação alimentar associada à ingestão de peixes que acumularam excesso destas toxinas nos seus tecidos, explicou a Universidade de Alicante em comunicado.

A descoberta, somando-se a uma descoberta de 2017 nas águas das Baleares feita por uma equipe do Instituto de Pesquisa e Tecnologia Agroalimentar, ocorreu como parte do projeto amostragem de rotina fitoplâncton realizado pelo Laboratório Marinho da UA-Denia, pertencente ao IMEM.

Recentemente na revista Notícias sobre algas nocivasum boletim publicado pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da UNESCO que aborda especificamente sobre algas tóxicas e proliferação de algasecoou esta descoberta de uma equipe de pesquisa da Universidade de Alicante. A equipe inclui Cesar Bordejor, professor do Departamento de Ecologia da Universidade da Ucrânia e pesquisador do IMEM; Eva Fonfria Subiros e John Yañez Dobson do IMEM, e Emilio Soler Onis do Grupo de Ecofisiologia Marinha EOMAR e do Observatório Canário de Algas Nocivas ULPGC.

O estudo foi desenhado de duas campanhas de amostra realizado em março e setembro de 2023 em 12 estações distribuídas por seis locais costeiros, tanto em pontos próximos da costa (250 metros) como distantes (a uma distância de um quilómetro). Os resultados mostram a presença Gambierdiscus do Sul em 75% das amostras coletadas em março e 100% delas em setembro, com números variando de 20 a 140 células por litro.

Segundo a UA, o género Gambierdisco É composto por microalgas que gerar ciguatoxinas que se acumulam em grandes quantidades em algumas espécies de peixes e o seu consumo pode causar problemas de toxicidade em humanos. No entanto, o investigador principal do estudo, César Bordejor, destaca que apesar da importância da descoberta, “o consumidor pode ficar confiante”já que as concentrações de células tóxicas do fitoplâncton encontradas na península “não causam alarme” e as espécies do sul, dentro do gênero Gambierdisco“Não é um dos mais tóxicos.”

“Sabemos como evitar possíveis intoxicações alimentares”, notou o investigador, sublinhando que “existem medidas preventivas para evitar que peixes com elevados níveis de toxinas cheguem ao mercado, com base em análises preliminares, para que o peixe distribuído seja completamente seguro”. Segundo Bordehor, a presença deste gênero de microalgas nas águas do Mar Mediterrâneo pode estar associado ao aumento da temperatura do maruma vez que a sua origem está em águas tropicais quentes e o aumento das temperaturas do Mediterrâneo favorece esta expansão geográfica de muitas espécies marinhas.

“Devemos estar atentos a esse acompanhamento, a nossa tarefa é informar as administrações competentes, como já fizemos, e tomar constantemente as medidas necessárias para manter a segurança alimentar“, observa o investigador. E acrescenta: “Para as espécies marinhas, um aumento de um grau na temperatura faz uma grande diferença e pode ser a diferença necessária para poder colonizar novos territórios que antes eram impossíveis de fazer devido à presença de a água está muito fria“.

Os especialistas também enfatizam a importância estudos de acompanhamento de longo prazo. Neste sentido, Bordejore lembra que “são realizados vários estudos, ambos aplicados a algo específico e fundamental”, onde são analisados ​​“periódicamente” vários parâmetros físico-químicos e composição biológica. “Desde 2010, analisamos mais de 40 quilómetros da costa norte da província de Alicante e, graças a isso, amostras biológicas preservadas há mais de dez anos ajudaram-nos a reanalisá-las e a garantir que 15 anos atrás gênero Gambierdisco não estava na área de estudo“, esclarece.

Assim, segundo a UA, “este trabalho confirma a expansão da distribuição Gambierdisco nas águas mediterrânicas da Península Ibérica e reforça a necessidade de manter programas especiais de monitorização fitoplâncton bentônico potencialmente tóxico a fim de antecipar possíveis riscos ambientais e garantir a segurança alimentar.” A investigação foi realizada no âmbito do projeto OBSERMAR-CV, financiado pelo programa Thinkinazul do Ministério da Ciência e Inovação, com fundos da União Europeia Next Generation e da Generalitat Valenciana.

Referência