janeiro 15, 2026
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O chefe da Procuradoria Anticorrupção, Alejandro Luzon, pediu ao Supremo Tribunal que mantivesse o ex-ministro dos Transportes José Luis Abalos em prisão temporária, dado que o “risco extremo” de fuga que levou à sua admissão na prisão de Soto del Real (Madrid) em 27 de novembro, não só não desapareceu, como aumentou devido à proximidade do julgamento por acusações de compra fraudulenta de máscaras durante a pandemia do coronavírus.

Fontes jurídicas consultadas pelo EL PAÍS informam que Luzon confirmou sua posição durante a audiência de apelação realizada nesta quinta-feira no Supremo Tribunal Federal para examinar os recursos interpostos pelo ex-secretário da organização PSOE e seu ex-assessor Koldo García exigindo sua libertação.

Num relatório em que argumentou contra esta afirmação, o procurador reiterou que a proximidade do julgamento, marcado para poucos meses, e a pena solicitada, até 30 anos de prisão, aumentavam o risco de fuga.

Luzon disse ainda que “o fluxo de provas continua a crescer a cada nova informação disponível”, lembrando não só o artigo relacionado com alegadas irregularidades na aquisição de medicamentos durante a crise da Covid-19, mas também a alegada falsificação de obras públicas, que ainda está sob investigação.

Segundo Luzon, os fatos a serem considerados são os crimes de pertencimento a organização criminosa, influência no comércio, peculato, suborno e uso de informações confidenciais. Ele acredita que Abalos, a quem chamou de “chefe” da conspiração, deveria ser condenado a 24 anos de prisão, enquanto Garcia está interessado em 19 anos e meio de prisão.

Em sua carta, o promotor também quis deixar claro que “a história da acusação não se baseia nas palavras de Victor de Aldama”, o empresário que seria o organizador do suposto complô, mas que foi confirmado durante a investigação. Esta confissão levou os promotores a solicitarem um total de 7 anos de prisão para ele.

Instrutor Caso Koldo No Supremo Tribunal, Leopoldo Puente mandou-os para a prisão, avaliando o mesmo “risco extremo” de Luzón, mas lembrou que as investigações mostraram que podem ter escondido grandes somas de dinheiro e contactos internacionais que poderiam facilitar a sua fuga.

Fontes jurídicas consultadas por este jornal indicam que a defesa de Abalos, liderada pela última vez pelo antigo procurador Carlos Bautista depois de ter retirado a defesa por “contradições contratuais”, também foi ratificada.

O ex-ministro interpôs recurso, argumentando que a sua entrada em Soto del Real foi uma resposta a um “uso irracional da lei” baseado em “suposições e especulações não suportadas por provas”.

A defesa de Abalos argumentou que “aquelas quantias gigantescas de dinheiro oculto” que lhe são atribuídas “não aparecem em lado nenhum”, sublinhando que em qualquer caso o rendimento médio efetivo que poderia ter recebido durante o período investigado (2014-2024) teria rondado os 500 euros mensais, segundo os relatórios da Unidade Central de Operações (UCO) da Guarda Civil.

O ex-assessor do ministro, por seu lado, afirma diretamente que o aumento injustificado do património, que a UCO estima em 317.500 euros, ascenderá na verdade a 98.421 euros e corresponderá à “capacidade de poupança da família”.

Referência