fevereiro 10, 2026
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O acesso à habitação em Espanha continua a mudar. De acordo com os últimos dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística, em 2025 quase metade dos agregados familiares espanhóis viviam numa casa totalmente paga. Esta percentagem coloca os imóveis não hipotecários como tratamento maioritário, embora com nuances correspondentes consoante o território.

O relatório do INE, correspondente a 2025, oferece uma visão detalhada do regime de aquisição de habitação própria nos agregados familiares espanhóis. A informação confirma que o peso da propriedade continua a prevalecer, mas também que o seu desenvolvimento não é uniforme e estável em todo o país.

Os proprietários continuam a liderar, mas na percentagem mais baixa desde 2004.

Em 2025, 48,9% das famílias possuíam casa própria sem hipoteca. Somam-se a esse grupo 24,4% que ainda não quitaram a hipoteca. No geral, 73,3% dos domicílios viviam em casas próprias.

Este valor, embora elevado em comparação com outros países europeus, representa o nível mais baixo de toda a série histórica do INE, que remonta a 2004. A tendência reflete uma mudança progressiva nos padrões de habitação, especialmente entre os agregados familiares mais jovens e nas grandes áreas urbanas.

Comunidades com maior peso de propriedade residencial

A liderança na aquisição de casa própria corresponde a comunidades com menor pressão demográfica e preços mais moderados. Castela e Leão lidera a lista com 81,2% dos proprietários, seguida pela Cantábria (80,9%), La Rioja (80,7%) e Navarra (80,6%).

Estas áreas têm uma percentagem particularmente elevada de famílias que já não pagam as suas hipotecas. Castela e Leão destaca-se com 58,4% das habitações próprias sem encargos financeiros, seguida da Extremadura, Astúrias, Galiza e La Rioja.

Regiões onde o imobiliário está a perder peso

No pólo oposto estão áreas com forte dinamismo económico e elevada procura de habitação. As Ilhas Canárias registaram a taxa de aquisição de habitação mais baixa, com 66,8%, seguidas pelas Ilhas Baleares e Catalunha (67,1%) e Madrid (69,1%).

Estas comunidades também têm as taxas mais baixas de aquisição de casa própria sem hipoteca. A Catalunha, as Ilhas Baleares e Madrid apresentam a percentagem mais baixa de agregados familiares com habitação totalmente paga, um valor diretamente relacionado com o preço da terra e da habitação.

O papel das hipotecas no acesso à habitação

A aquisição de casa própria com hipoteca continua a ser importante em várias comunidades. A Andaluzia lidera o grupo com 26,7% das famílias que pagam hipoteca, seguida pelo País Basco, Cantábria, Catalunha e Navarra.

Por outro lado, a Galiza, as Ilhas Canárias e a Extremadura apresentam a menor percentagem de famílias com hipoteca, todas abaixo dos 20%. Este padrão reforça a ideia de um mercado imobiliário muito desigual dependendo do território.

Os aluguéis estão consolidados nas principais regiões urbanas.

Em 2025, 20,2% das famílias espanholas alugavam habitação. Embora este seja um ligeiro declínio em relação a 2024, os aluguéis mantêm uma presença estrutural em algumas comunidades.

A Catalunha lidera claramente neste regime de posse, com 28% das casas arrendadas, seguida por Madrid (26,9%), Ilhas Baleares (24,7%) e Ilhas Canárias (23,6%). Estes valores são, em alguns casos, duas vezes superiores aos registos das regiões com menor peso de renda.

Taxa de aluguel de mercado e aluguel reduzido

No mercado de arrendamento, a maioria das famílias enfrenta preços de mercado. Catalunha, Madrid e Ilhas Baleares concentram a maior percentagem de rendas sem redução, ultrapassando em todos os casos os 21%.

Aluguéis abaixo do mercado são mais comuns nas Ilhas Canárias, País Basco, Catalunha e Navarra. Este tipo de habitação está geralmente associado a políticas governamentais, acordos familiares ou termos contratuais específicos.

O mapa da desigualdade habitacional está a tornar-se cada vez mais desigual.

Os dados do INE confirmam que a construção habitacional em Espanha caminha para um modelo mais fragmentado. A propriedade ainda é maioritária, mas está a perder peso de forma constante, enquanto o arrendamento se torna mais forte em áreas com maior pressão económica e laboral.

Estas mudanças estruturais colocam desafios significativos à política pública de habitação, especialmente em comunidades onde o acesso à propriedade é cada vez mais incomportável para uma proporção crescente de agregados familiares.

Referência