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Mais de 1.200 pessoas foram condenadas no Brasil por planejar, participar e financiar uma tentativa de golpe que culminou há três anos, em 8 de janeiro de 2023, com um ataque às sedes dos três poderes em Brasília. Uma punição que contrasta com a dos Estados Unidos, onde a tomada do Capitólio em 6 de janeiro de 2021 não impediu Donald Trump de regressar ao poder e perdoar os condenados.

À medida que o julgamento mais importante realizado no Brasil em décadas se aproximava de um veredicto, o presidente do Supremo Tribunal Federal quis deixar um registro público de seu significado histórico: “Hoje ninguém sai daqui feliz, mas devemos cumprir com coragem e tranquilidade as missões que a vida nos confia. “Acredito que estamos encerrando os ciclos de subdesenvolvimento da história brasileira, marcados por golpes de Estado e pela violação da legalidade constitucional”, disse o juiz Luiz Roberto Barroso em sua conclusão de 11 de setembro. sobre as audiências contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e quatro generais quatro estrelas.

Trata-se de uma contagem de sentenças para pessoas envolvidas em atos antidemocráticos cometidos uma semana após a volta de Lula ao poder e que completam três anos nesta quinta-feira.

Bolsonaro, líder golpista preso

O Supremo Tribunal considerou o ex-presidente Jair Bolsonaro culpado de todas as cinco acusações, incluindo a derrubada violenta do Estado de direito, por liderar um complô para manter o poder depois de perder uma eleição. Ele foi condenado a 27 anos de prisão por desenvolver e liderar uma conspiração que incluiu o assassinato das principais autoridades do estado e de seu mais odiado magistrado, Alexandre de Moraes, que liderou a investigação e o julgamento.

Bolsonaro cumpre pena na delegacia de Brasília, em condições equivalentes às oferecidas a Lula há alguns anos.

A novidade do caso não é a prisão do ex-presidente do Brasil (agora há outro preso lá), mas o motivo: um golpe.

A Suprema Corte apoiou veementemente a tentativa de Donald Trump de sabotar o julgamento. O presidente dos EUA chegou a impor sanções a vários membros do tribunal superior e apenas comutou a punição para Moraes.

Generais, fim da impunidade

O julgamento de Bolsonaro, um capitão reformado do exército, ficará nos livros de história do Brasil porque nunca antes generais foram julgados e condenados por distúrbios. Marca o fim da impunidade militar depois de uma história repleta de golpes de Estado, tanto bem-sucedidos como malsucedidos.

Três generais de quatro estrelas, ex-ministros e comandantes da Marinha, foram condenados a longas penas de prisão: de 19 a 26 anos de prisão, que cumprem em prisões militares. O mais velho recebeu cuidados domiciliares.

Curso de democracia

Em 8 de janeiro de 2023, uma multidão enfurecida de apoiadores de Bolsonaro invadiu a sede presidencial, o Supremo Tribunal e o Congresso, convencidos, usando premissas falsas, de que a eleição havia sido roubada de seu líder. O ataque, que ameaçou os alicerces da democracia, foi perpetrado por centenas de cidadãos comuns que, após a vitória eleitoral de Lula, abandonaram a vida, acampando em frente ao quartel e exigindo intervenção militar para garantir a permanência de Bolsonaro no poder.

Após o ataque, eles foram detidos e encarcerados. Primeira surpresa. Ótimo choque Isto aconteceu quando o sistema de justiça os acusou de tentativa de golpe. A tese de que as ações em Brasília foram apenas vandalismo foi rejeitada pelos juízes. A aventura de Bolsonaro terminou em longas penas de prisão. A ideia é que sirvam de antídoto para potenciais emuladores.

Cinquenta pessoas acusadas de participar dos acampamentos concordaram com um acordo com o Ministério Público que incluía multa, proibição de uso de redes sociais e realização de um curso chamado Democracia, Estado de Direito e Golpe de Estado.

Invasores e mártires

Cerca de 650 pessoas foram julgadas e condenadas pelos seus papéis na invasão das três potências. Muitos foram condenados a penas que variam de 12 a 17 anos de prisão.

Criticando a severidade das punições, os Bolsonaro elogiaram como mártir a cabeleireira Deborah Rodrigues dos Santos, condenada a 14 anos de prisão depois de, em meio ao caos daquele dia, ter pintado um slogan carmim na Estátua da Justiça com vista para a entrada do Supremo. Mãe de família, a juíza não teve pressa, mas concedeu prisão domiciliar.

Fugitivos

O Brasil solicitou a extradição de pelo menos 60 condenados que fugiram para o exterior para evitar a prisão. A maioria deles buscou proteção na Argentina de Javier Miley. O mais famoso dos conspiradores golpistas fugitivos é Alexandre Ramagem, condenado a 16 anos junto com Bolsonaro por usar a agência de inteligência que dirigia para espionar rivais políticos durante o período que antecedeu o golpe. Ele conseguiu fugir para Miami, apesar de uma ordem judicial para confiscar seu passaporte.

“Sem-abrigo” e absolvido

As dez pessoas absolvidas neste mega-caso incluem várias pessoas que não puderam ser processadas devido a perturbações mentais graves e pelo menos quatro morador de rua que se instalaram no campo golpista de Brasília, em frente ao quartel-general do Exército projetado por Oscar Niemeyer durante a ditadura, porque ofereciam comida de graça.

Multas reduzidas?

O presidente Lula presidirá nesta quinta-feira, 8 de janeiro, evento em Brasília para celebrar a vitória da democracia sobre o golpe. Ele enfrenta a possibilidade de vetar ou não uma norma aprovada pelo Congresso em dezembro que comuta as sentenças de golpistas, incluindo Bolsonaro, em nome da reconciliação nacional. Se Lula cumprir a promessa e os vetos, Meritíssimo poderá restabelecer os cortes.

Bolsonaro espera que isso amenize sua situação, já que o sonho da anistia está enterrado por enquanto. Mas permanece no horizonte a possibilidade de que seu filho Flávio Bolsonaro ou algum aliado ganhe as eleições em outubro e aprove um perdão ao estilo de Trump.

Referência