Delcy Rodriguez, Presidente da Venezuela, disse esta quinta-feira que a “agressão invasiva” levada a cabo pelos Estados Unidos contra o país no dia 3 de janeiro representa “uma mancha nas relações entre os dois países”, e acrescentou que no atual contexto político, o seu governo “decidiu escolher meios diplomáticos” para resolver o conflito. “Temos o direito de ter relações diplomáticas com a China, com a Rússia, com o Irão, com Cuba, com todos os povos do mundo. Também com os Estados Unidos. Somos uma nação soberana”, acrescentou.
Rodriguez fez as declarações durante a apresentação anual da liderança executiva ao parlamento, ritual constitucional que é celebrado no início de cada ano no Palácio Legislativo Federal. A reunião contou com a presença de vários embaixadores estrangeiros, governadores e representantes do chavismo.
A titular, que indicou em declarações recentes que o país se está a abrir a um “novo momento político”, dedicou grande parte do seu discurso a homenagear Nicolás Maduro e Cilia Flores, capturados numa operação dos EUA em 3 de janeiro, e a aumentar o moral da militância revolucionária após o ataque. Rodriguez reafirmou seu compromisso com os princípios fundamentais do chavismo. “Este trabalho pertence ao presidente Maduro”, disse ele ao apresentar o documento.
Rodríguez prometeu trabalhar pela libertação de Maduro e Flores e pediu “um minuto de aplausos” aos soldados venezuelanos e cubanos mortos em confrontos com tropas norte-americanas. “Não tenhamos medo da contradição que surgiu. Vamos olhar nos olhos”, disse, referindo-se aos acordos petrolíferos com os Estados Unidos, que o próprio Donald Trump anunciou após a detenção do casal presidencial.
Tanto Delcy Rodriguez como o seu irmão Jorge Rodriguez, presidente do parlamento, adotaram um tom conciliatório em relação à oposição. Ambos enfatizaram a importância de promover a coexistência política e assumiram, pelo menos parcialmente, a responsabilidade pela melhoria do clima do país.
Rodriguez advertiu a oposição: “Não confunda as medidas de substituição tomadas com a perseguição de algumas pessoas e o nosso interesse em reduzir a pressão sobre o clima político com fraqueza. Rodriguez também acrescentou: “Não é que a presidente esteja com medo porque está sendo ameaçada. Não. Toda a Venezuela está em risco e, acima de tudo, a sua soberania, travaremos uma batalha diplomática”.
O presidente em exercício criticou os fundamentos históricos da diplomacia americana e observou que historicamente a nação norte-americana tem manobrado abertamente e intrigado para expandir o seu raio de influência na América Latina, minar a sua independência e comercializar os seus recursos naturais. “A Doutrina Monroe e o Bolivarianismo que postulamos e defendemos são projetos completamente opostos, são antíteses”, disse.
Aludindo diretamente às recentes conversas entre Donald Trump e a líder da oposição venezuelana Maria Corina Machado, Rodriguez comentou: “Se um dia eu tiver que ir como presidente interino a Washington, farei isso com dignidade, de pé, andando com a cabeça erguida e com a bandeira tricolor.