fevereiro 4, 2026
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Os trabalhadores da Adif e da Renfe e seus representantes sindicais manifestaram-se terça-feira em frente ao Ministério dos Transportes e Mobilidade Sustentável, exigindo responsabilização e melhor gestão das ferrovias após os acidentes em Adamuza (Córdoba) e Rodalis.

Diego Martín Fernández, secretário-geral do sindicato dos maquinistas Semaf, exigiu mudanças imediatas na gestão do setor ferroviário e mudanças nas políticas de investimento para garantir a qualidade e segurança dos serviços. Sublinhou que os especialistas do transporte ferroviário denunciam há muitos anos as deficiências que encontram “diariamente” e que afectam directamente tanto os trabalhadores como os passageiros. Sublinhou também a necessidade de dar prioridade ao investimento na manutenção das infra-estruturas em vez da construção de novas linhas, estratégia que garantiu ter prevalecido nos últimos anos.

Um porta-voz dos maquinistas disse que a indústria relatou repetidamente deficiências na rede ferroviária. Também que os sindicatos ferroviários se uniram devido ao anúncio de uma greve marcada para os dias 9, 10 e 11 de fevereiro.

Em relação aos recentes incidentes, Martin recusou-se a tirar quaisquer conclusões e disse que as investigações técnicas e forenses determinariam a responsabilidade. No entanto, frisou que não é necessário que aconteçam acontecimentos graves para que os alertas dos profissionais sejam atendidos. Entre as principais emergências que consideram estão a manutenção da infraestrutura, especialmente em Rodalis, e a adoção de protocolos eficazes contra eventos climáticos adversos para evitar restrições de serviço, riscos ou acidentes.

Francisco Cárdenas Pons, chefe da UGT do grupo Renfe na Catalunha, defendeu a mobilização ao ministério como uma ação anterior a um apelo a uma greve de três dias para forçar uma resposta do governo face à deterioração do estado do sistema ferroviário. Conforme explicou, depois de anos ignorando os avisos, a situação atingiu um ponto crítico. Cárdenas denuncia o facto de os cidadãos terem passado da ideia de que “tudo estava perfeito” para a suposição de que “tudo está mau” e defende que é hora de agir “radicalmente” para mudar uma situação que tem sido descrita como insustentável.

Um representante da UGT notou a falta de investimento na Rodalies. Assegurou que nesta área se concentra uma proporção muito significativa dos acidentes ferroviários, e explicou isso pelo facto de, embora os investimentos estivessem previstos no orçamento, apenas 25% a 40% foram executados de ano para ano, o que levou à degradação progressiva da infra-estrutura. Exigiu também que o ministério apresentasse um plano realista para vários anos para virar a maré e implementar integralmente os investimentos planeados.


Protesto de representantes da Adif e da Renfe em frente ao Ministério dos Transportes.

Por sua vez, Carlos Moreno, secretário organizador do Sindicato Ferroviário na Comissão de Trabalho da Adifa, sublinhou também que a concentração perante o ministério responde aos recentes acidentes e à necessidade de alterar o actual modelo de transporte ferroviário, especialmente no que diz respeito à manutenção das infra-estruturas. Pelo seu sindicato, queixam-se do excesso de trabalho e da falta de pessoal nos Centros de Controlo de Tráfego, situação que dizem já se arrasta há anos. Exigem também uma análise do impacto dos novos operadores na rede ferroviária, bem como uma melhor formação do pessoal e restrições claras às tarefas de externalização. Moreno garantiu que embora não questionem a segurança do sistema, o aumento do tráfego ferroviário torna necessário reforçar e melhorar a manutenção e acredita que esta mobilização ajudará o ministério a promover mudanças estruturais no sector.

“Não pode funcionar com base em patches”

Arturo Vega, responsável nacional do CSIF da Renfe, indicou que o seu sindicato exige protocolos de segurança atualizados, aumento do investimento na manutenção da infraestrutura ferroviária e o fim da terceirização de oficinas, visto que afetam diretamente a segurança dos comboios. Também é necessário modernizar as oficinas, tanto em equipamentos como em equipamentos. Em resposta à resposta do ministério, que pedia a implementação de compromissos e acordos firmes, lembrou que os acordos anteriores não foram implementados. No contexto dos recentes incidentes, defendeu a mobilização como forma de exigir a restauração de uma ferrovia exemplar, segura, pontual e de qualidade e elogiou a unidade do sindicato na exigência de um verdadeiro plano de investimentos para a indústria.

Pepa Paes, responsável pelo setor ferroviário do CCOO, defendeu junto do Ministério dos Transportes a necessidade de mudanças profundas no modelo ferroviário na sequência dos recentes acidentes, que o sindicato disse que devem ser assinalados como “antes e depois” e não podem ser considerados como um “incidente específico”.


Trabalhadores da Renfe em protesto em frente ao Ministério dos Transportes.

O CCOO alertou contra a “normalização de constantes incidentes, atrasos, avarias ou cancelamentos” e condenou que a ferrovia “não pode operar de forma fixa”. O sindicato argumenta que a fonte dos problemas actuais não é a força de trabalho, mas “decisões políticas e de gestão que não são consistentes com os serviços ferroviários modernos”.

O CCOO quis transmitir uma mensagem aos cidadãos e aos utilizadores, afirmando que “os trabalhadores ferroviários não são o problema, o trabalho não é o problema” e sublinhando que são os trabalhadores que “mantêm o sistema em funcionamento mesmo quando faltam planeamento, coordenação e investimento”. O CCOO insiste que embora a ferrovia seja uma instalação segura “graças ao profissionalismo daqueles que estão por trás do sistema”, há um problema claro de “investimento insuficiente, planejamento e manutenção deficientes que não atendem às necessidades reais”. O sindicato exigiu “diálogo real, medidas estruturais e respeito pelo pessoal” do ministério e alertou que, se não houver respostas, “continuaremos a mobilizar-nos” em defesa de uma “ferrovia pública, segura e ao serviço dos cidadãos”.

Referência