– OTAN
BRUXELAS, 19 de janeiro (EUROPE PRESS) –
O ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, e a ministra dos Negócios Estrangeiros da Gronelândia, Vivian Motzfeldt, pediram esta segunda-feira ao secretário-geral da NATO, Mark Rutte, que acolhesse uma missão da Aliança Atlântica à ilha do Ártico durante uma crise marcada pelas reivindicações dos Estados Unidos de soberania sobre o território.
Ambos os ministros afirmaram isto em declarações aos meios de comunicação social após um encontro em Bruxelas com Rutte, que, na sua opinião, está “consciente da difícil situação em que a Dinamarca se encontra”, bem como “da situação em que a NATO se encontra”.
O chefe da diplomacia dinamarquesa esclareceu que propuseram ao secretário-geral da Aliança Atlântica acolher uma missão da NATO na Gronelândia, mas não especificou qual foi a resposta do antigo primeiro-ministro dos Países Baixos, a não ser tomar nota do pedido.
Questionado se o pedido foi feito porque acreditavam que a atual missão conjunta com oito países europeus, a Operação Resistência Ártica, tinha falhado na sequência das ameaças tarifárias do presidente dos EUA, Donald Trump, Lund Poulsen disse que “nada teve sucesso”.
Na sua opinião, as manobras militares, que envolvem Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Países Baixos e Finlândia, são um exemplo da “estratégia clara” do governo dinamarquês no seu desejo de assumir maior responsabilidade na protecção do Árctico.
É claro que ele lamentou que algumas das declarações do presidente dos EUA sobre as reivindicações à Gronelândia tenham sido “realmente dolorosas” para ele próprio, e que isso deu à Dinamarca uma razão para “fazer mais no lado europeu em termos de investimento e presença” e “resposta aos americanos novamente”.
EUA – UM PARCEIRO IMPORTANTE PARA A EUROPA
Lund Poulsen mencionou também o papel dos Estados Unidos como parceiro na NATO e reconheceu que se Washington abandonasse a Aliança Atlântica, isso representaria um “desafio gigante” para a segurança europeia.
Para já, ambos os ministros demonstraram o seu empenho em tentar manter o diálogo com a administração Trump, que iniciaram na semana passada durante uma visita à Casa Branca, onde se reuniram com o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
Durante a reunião, ambos os lados concordaram em cooperar, mas discordaram sobre a possibilidade de Washington assumir o controlo da ilha.
“CONTINUAREMOS TRABALHANDO”
Por sua vez, após a reunião, o Secretário-Geral da NATO esclareceu que conversou com os ministros da Dinamarca e da Gronelândia sobre a “importância do Árctico” para a “segurança colectiva”.
Também discutiram outras questões, como o facto de a Dinamarca estar a “intensificar o seu investimento em capacidades essenciais”. “Continuaremos a trabalhar juntos como aliados nestas questões importantes”, acrescentou o líder da Aliança Atlântica numa publicação nas redes sociais.