5o8PTHT0_20260101184535-U24312327857Mcj-1024x512@diario_abc.jpg

01/01/2026

Atualizado às 21h31.

Se eu ouvir bem, ainda ouço a música. Talvez eu até goste. Se formos por pouco tempo, não descarto que nos divertiremos. Os jornais escrevem: tem rave aqui ao lado. Na tarde do dia 31 nós, com mais de quarenta anos, Brincamos com as crianças pequenas sobre deixar a mesa do Ano Novo posta e sair correndo. Meninas, poderíamos ter algumas danças legais. Abaixo as lembranças antigas e as uvas velhas, abaixo as festas no colo da natureza. Conhecemos todas as maneiras de chegar lá. Ninguém garante que faremos isso. Na verdade, não ouvimos falar da “rave” nas manchetes. Isso foi há alguns dias. Para uma criança. Ele teve que ser levado para a unidade de terapia intensiva pediátrica. Vôo. Mas um comboio “rave”. E cortes. E controles. Você mudou o maldito hospital regional para mais longe?

As estradas na área são cuidadosamente monitoradas e o fluxo de tráfego é menor do que durante o resto do ano. É por causa da rave. Como as fábricas e escolas estão de férias, as pessoas se deslocam para lidar com emergências em prol do relaxamento e da família. Outro amigo vai jantar numa cidade próxima (daqui, da “rave”). Ele também não sabe se chegará. São apenas férias em família. Menos importante que uma criança entubada. Que tal uma “rave”? Desde que não façam mal a ninguém. Já. Apedrejaram a Guarda Civil. Algo está acontecendo também nas cidades. Nunca há muitos agentes. Por isso, a “rave” chega ao campo. No campo. Nosso amigo biólogo pergunta como eles planejam sair daqui. Nem pensamos nisso, focando se deveríamos ir para o hospital o mais rápido possível. Ou em caso de acidente – já aconteceu –. Vamos ver como as ambulâncias o abordam. Cidades, como são legais para raves. Turismo da França, da Holanda. Ano passado em Ciudad Real. Isto é em Albacete. Não são outras coisas, mas big data de raves que chegam aqui.

Há já vários anos que temos assistido a esta tendência estúpida de dizer às pessoas o que devem fazer, quem devem ser, aquilo por que devem lutar. Organizar raves? Colocar macro fazendas? Aterros macro? Há muita consciência verde sobre o meio ambiente, mas não sobre como vivem as pessoas que vivem no meio do meio ambiente.

As pessoas têm recomendado livros desde o ano passado. Eu vou com a cabeça. O último da “Era dos Predadores” de Giuliano da Empoli. O autor conta como a paz da pequena cidade de Liesin, localizada perto de Paris, foi repentinamente perturbada por um vespeiro de carros invadindo suas ruas em determinados horários. É por causa do Waze. O aplicativo recomenda economizar alguns minutos no desgaste do cinto. Em desespero, o prefeito tentou instalar um semáforo e… até falar com alguém do “app”! Não encontrou interlocutores nem responsáveis. No fim? Nada, ele não podia fazer nada. Como prefeitos com raves: simplesmente contemplam nossas cidades, estranguladas por algoritmos.


Limite de sessão atingido

  • O conteúdo premium está disponível para você através do estabelecimento em que você está, mas atualmente há muitas pessoas logadas ao mesmo tempo. Tente novamente em alguns minutos.


tente novamente




ABC Premium

Você excedeu seu limite de sessão

  • Você só pode executar três sessões por vez. Encerramos a sessão mais antiga para que você possa continuar assistindo as demais sem restrições.


Continuar navegando


Artigo apenas para assinantes


Referência