fevereiro 11, 2026
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A Comunidade de Madrid acredita que o projecto de lei sobre a gestão pública do Ministério da Saúde, que o Conselho de Ministros deu luz verde na terça-feira, é na verdade a forma da Ministra Monica García tentar resistir contra a região. “Esta é uma lei contra Madrid e tem mais como objetivo fazer barulho político do que fazer algo eficaz”, garante a ministra da Saúde de Madrid, Fátima Matute, à ABC.

Aliás, em conferência de imprensa após a reunião do Conselho de Ministros, Mónica García apontou para Madrid, dizendo que a norma proíbe um modelo em que uma empresa constrói e explora um hospital que funciona como hospital público, como é o modelo do Hospital de Torrejón.

No entanto, a região acredita que esta regra viola os poderes regionais e é inconstitucional. A Presidente da Comunidade, Isabel Díaz Ayuso, acusou o governo de querer “acabar com os cuidados de saúde” na autonomia, “levando-nos a uma revolução, a uma situação onde nada funciona” numa comunidade que “não para de crescer em população e tem que enfrentar o problema do envelhecimento”. “O modelo da Comunidade de Madrid escolhido nas eleições é um modelo de liberdade”, afirmou.

Segundo Matute, o único objectivo desta norma é indicar à Comunidade de Madrid que deve “encobrir a catástrofe com o Estatuto-Quadro e a greve dos médicos” prevista para a próxima semana. “Ele quer fazer barulho para esconder a sua ineficiência”, observa Matute, que lamenta ter tomado conhecimento disso através da mídia e que Monica García não tenha informado previamente os vereadores autônomos.

“Quer encobrir o desastre do Estatuto-Quadro e a greve dos médicos”

Apesar disso, a Comunidade de Madrid acredita que na prática a regra, se colocada em vigor, não teria qualquer efeito. “Embora queira atacar Madrid, não terá poder sobre a sua ostentação de atacar Quirón ou Ribera Salud, porque a lei afirma claramente que isso não afetará as concessões existentes”, explica o ministro da Saúde da região.

Fátima Matute insiste que se a norma for aprovada (e não acredita que o seja, pois prevê que os partidos catalão e basco não a apoiarão), a Comunidade de Madrid recorrerá ao Tribunal Constitucional e, se necessário, à Europa. “Isto contradiz não só os artigos da nossa Constituição, mas também o direito dos tratados europeus. “Há jurisprudência suficiente”, sublinha.

Regras do jogo

Não há, portanto, preocupações na Comunidade de Madrid sobre as consequências que esta regra possa ter. “Estamos prontos para defender a cooperação público-privada utilizando regras de jogo estabelecidas como as que temos”, conclui Matute.

Os empregadores privados de saúde também lamentaram a intenção da regra. A Fundação IDIS (Instituto para o Desenvolvimento e Integração dos Cuidados de Saúde), organização que inclui grandes grupos hospitalares e seguradoras, lamenta que limitar esta colaboração público-privada, bem como promover uma reversão desta gestão privada dos serviços públicos, possa representar um grave “impedimento” ao acesso da população aos cuidados de saúde, bem como à sua qualidade, que poderá deteriorar-se, alertam.

ataque

A Fundação IDIS destaca o trabalho desta colaboração com as administrações para reduzir as listas de espera e melhorar a eficiência do atendimento aos pacientes. Quaisquer alterações nesta questão, afirmou a fundação num comunicado, devem basear-se em critérios que beneficiem os pacientes “e não comprometam a acessibilidade ou a eficácia do sistema”.

A Aspe (Aliança Espanhola para os Cuidados de Saúde Privados) também manifestou a sua “oposição total” ao que chama de “lei contra os cuidados de saúde privados”, que considera representar um “ataque dogmático” às autoridades regionais. Mas condena também o facto de a norma “ter nascido com o propósito declarado de proibir, limitar e/ou condicionar diversos modelos de cooperação público-privada”.

Referência