A Associação dos Procuradores (AF), maioritária nas carreiras dos procuradores, juntou-se esta sexta-feira às críticas aos juízes, funcionários e advogados do Gabinete de Justiça (LAJ) e criticou a falta de planeamento da lei de eficiência do ministro Bolaños. … que entrou em vigor em 1º de janeiro e está causando “caos” nos tribunais. Tal como outros operadores jurídicos, a AF já tinha alertado para as consequências iminentes ainda antes da lei entrar em vigor.
Numa carta aos colegas, a que o ABC teve acesso, AF aponta a falta de cálculos e a necessária ampliação dos cargos de procuradores e juízes por parte do Ministério da Justiça para poder realizar uma reforma organizacional da justiça desta envergadura.
A isto acrescenta-se que os assuntos abrangidos pelas novas secções sobre violência baseada no género “revelam deficiências importantes no exame de aspectos de competência tanto na fase de investigação como na fase de acusação”. A expansão deste mandato objectivo seria “difícil de aceitar”, dizem eles, e criaria conflitos que poderiam ser resolvidos de forma diferente numa província e noutra.
Da mesma forma, a criação de tribunais regionais de recurso para casos de violência baseada no género resultou em que as vítimas fossem forçadas a percorrer distâncias superiores a 80 quilómetros em alguns casos, ou a comparecer electronicamente noutros, “em detrimento da atenção pessoal exigida pela função protectora dos procuradores e juízes, causando uma revitimização mais do que óbvia e tendo um efeito dissuasor na apresentação de uma queixa”. E, conforme explicam, a eventual apresentação de denúncia ou reclamação fora do horário comercial determinará que uma resolução concordando com a defesa necessária seja transmitida às comarcas onde ocorreram os fatos, em alguns casos com mais de uma hora de intervalo no trânsito.
Em muitos distritos judiciais, especialmente nos maiores, a organização interna dos registos gerais dos tribunais também não estava claramente definida, tanto em termos de pessoal como de composição de advogados.
“O Ministério lançou a primeira pedra sem um plano claro de construção da justiça através da criação de tribunais de primeira instância. E tudo isto sem disponibilizar os recursos materiais necessários, sem previsão para o seu funcionamento a médio prazo e com deficiências na articulação da concorrência objectiva e da regionalização”, diz a mensagem.