janeiro 22, 2026
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Na transição de menino para homem, o jovem se transforma em novilha. O animal com chifres, símbolo de força e poder, sai às ruas todo dia 20 de janeiro na pessoa de um menino pré-selecionado por sorteio. Isso vem acontecendo desde o século XVII. Cidade madrilena de Pedrezuela, embora as suas origens remontem às representações de homens vestidos de touros no Paleolítico. Esta terça-feira, o som dos sinos das vacas voltou a ecoar pelas ruas do concelho de quase sete mil pessoas durante a celebração do seu tradicional feriado. Festival do Bezerro.

Alberto Martin atingiu recentemente a maioridade. Da mesma forma, seus companheiros, chamados de quintos, eram aqueles que iniciaram o serviço militar aos 18 anos. Porém, a responsabilidade de ser novilha recaiu sobre ele. À tarde, esses jovens terão duas missões a cumprir. Ao tocar os sinos que carregam, eles devem afastar os espíritos malignos que vivem na cidade na Noite de Todos os Santos. Além disso, eles devem sacrificar uma vaca, que, décadas atrás, acreditava-se que fertilizaria a terra com seu sangue derramado e garantiria uma colheita abundante.

“Nos momentos que antecederam a largada fiquei muito nervoso porque é isso que sempre vi e sonhei. Mas quando você vê que todo mundo está vestido e você pega a novilha, você quer começar a festa”, diz Alberto. Ele passava o dia com uma moldura de madeira em forma de cilindro oco na cabeça, decorada com vários tecidos e miçangas, e com dois chifres na frente. A estética muda a cada ano, pois é a família do escolhido a responsável por deixar sua marca no animal. “Um dos momentos mais lindos é a decisão da cor e do xale, pois na hora de fazer a novilha Você se esforça para incorporar em si um pedaço de tudo o que o rodeia. “É preciso pensar muitas horas e tentar deixar tudo o mais bom e confortável possível”, diz o protagonista da festa.

Hoje em dia, os motivos da sua celebração mudaram. O seu simbolismo e mitologia permanecem apenas vestígios do passado, dando lugar ao sentido de comunidade que o festival representa hoje. “Para nós este é o dia mais importante do ano. Isso nos foi incutido desde a infância e as crianças veem os adultos participando e querem ser eles”, afirma o prefeito de Pedrezuela, Rodrigo García Zafra.

Durante o feriado foi anunciado Interesse turístico regional em 2011Dois vaqueiros em trajes campestres cordobeses abrem e fecham duas fileiras dos chamados gurramaches, que se movem com sinos de vaca amarrados nos cintos nas costas. O rugido do seu movimento enche as ruas e chega às casas, tentando afastar os maus espíritos.

Envoltos em barulho, dirigem-se em rigoroso cortejo até à Praça da Constituição. Há mulheres esperando em roda, que animam a expectativa dos vizinhos com canções tradicionais. A estrutura é perturbada pelo som dos sinos das vacas e pelo aparecimento de uma novilha, que os ataca, obrigando-os a subir numa carroça de madeira localizada no centro da praça. Para os cowboys, é uma oportunidade de demonstrar suas habilidades tocando trompa.

Imagem Secundária 1. A Festa do Bezerro é comemorada no dia 20 de janeiro.
Imagem Secundária 2. A Festa do Bezerro é comemorada no dia 20 de janeiro.
O Festival do Bezerro foi comemorado no dia 20 de janeiro.
MUNICÍPIO DE PEDRESUELA

Sacrifício da Besta

Suas idas e vindas pela praça cessam após dois tiros para o alto com o sacrifício de uma novilha. Na sua despedida é distribuído pão de anis que, segundo a lenda, provém do dinheiro que o moleiro de Pedrezuela legou à Câmara Municipal após a sua morte, para que esta distribuisse o pão aos vizinhos no dia do seu santo.

Este ano como parte do festival minuto de silêncio às vítimas do acidente ferroviário em Adamuz. A festa e o baile não continuaram após a programação habitual e foram cancelados em sinal de respeito às vítimas. Os participantes despediram-se até Janeiro próximo, momento pelo qual estão ansiosos. “As crianças querem muito saber quem é o vencedor”, afirma o autarca, destacando o sentido de comunidade que advém do festival.

“Essa é uma das melhores lembranças da minha vida”

Alberto Martins

“Novilha” 2026

Embora os protagonistas sejam jovens, este feriado não é dedicado exclusivamente a eles. Os mais velhos fazem a sua parte na confecção das roupas da novilha e, claro, durante a festa. Além disso, pessoas de cidades próximas vêm a Pedrezuela porque, segundo Garcia, “dá para ver com muita clareza as crianças correndo e a moldura de madeira. Atrai pessoas de outras cidades em que também existem novilhas, pois cada uma é diferente e processada de forma diferente.

Alberto lembra como, quando criança, sentia um certo medo deste feriado por causa do barulho. “À medida que fui crescendo, comecei a entender e admirar a festa e até hoje pude participar dela e considero uma das melhores lembranças da minha vida”, diz. Após sua participação, ele deseja que seja transmitido de geração em geração por muito tempo. “Enquanto isso for possível, isso vai continuar”, afirma o prefeito. Envoltos em flores e sinos, continuarão a celebrar a despedida da juventude perdida.

Referência