Os Estados Unidos alertaram Diosdado Cabello que ele poderá enfrentar o mesmo destino de Nicolás Maduro se não ajudar a governar Delcy Rodríguez, a presidente interina da Venezuela, informou a Reuters na terça-feira. A Casa Branca quer que um dos homens fortes do chavismo, que considera capaz de desestabilizar e criar o caos neste momento de transição, ajude Rodriguez a manter a ordem.
Considerado o número 2 do regime durante a era Maduro, Cabello controla as forças de segurança e os grupos motorizados, grupos de violência civil que alimentaram o medo entre a população. Ao contrário de outros governantes que foram mais cautelosos, Cabello saiu às ruas horas depois da captura de Maduro, usando capacete, colete à prova de balas e cercado por policiais e soldados armados. Pouco antes disso, unidades das forças especiais norte-americanas entraram em Caracas com sangue e fogo e levaram consigo o então presidente Maduro e a primeira-dama Cilia Flores.
Informações da Reuters indicam que Cabello é um dos poucos apoiantes de Maduro em quem Donald Trump decidiu confiar para “manter a estabilidade como governante de transição”, segundo uma fonte próxima da administração norte-americana. Inclusive incluíram na mesma lista o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, e outro representante da linha mais radical do chavismo. Tanto Cabello quanto Padrino são acusados pelos Estados Unidos de tráfico de drogas. Para o Ministro da Administração Interna pela sua captura pede 25 milhões de dólares, para o Ministro da Defesa – 15.
Neste contexto, os EUA enviaram esta informação a Cabello. Não se trata de ameaçar ninguém. O comandante Hugo Chávez tinha-o em alta estima e, até ao seu último momento em 2013, devido a um cancro terminal, hesitei entre escolhê-lo ou a Maduro. No final das contas, ele escolheu Maduro, e especulou-se que a rivalidade entre os dois poderia comprometer o projeto revolucionário. Mas a sua coabitação foi muito bem-sucedida, segundo pessoas familiarizadas com o interior do governo, e ambos souberam trabalhar juntos para manter o poder durante os anos difíceis durante os quais o chavismo teve problemas de legitimidade, desvios autoritários e queixas de direitos humanos.
A Entente entrou em colapso e Maduro foi substituído não por Cabello, apesar de ser o número dois, mas por Delcy Rodriguez. Sua história de rivalidade com ela e seu irmão Jorge, o presidente da Assembleia, é longa, segundo a Reuters. Dada a forma como a crise foi resolvida e a era pós-Maduro começou, os Rodriguez impuseram a sua posição a Cabello. Sua reação causa medo em Washington.
Agora é difícil dizer a que tipo de tutela Trump irá submeter os líderes venezuelanos. Até agora, o Presidente dos EUA garante que fornecerão entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo a preços de mercado e que o próprio Presidente americano administrará o dinheiro “em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos”.