A Europa está a reforçar a sua posição em relação à imigração todos os dias. O Parlamento Europeu aprovou na terça-feira alterações nas regras de asilo da UE que darão às autoridades dos Estados-Membros ainda mais poder para deportar requerentes de asilo. As alterações às regras que estabelecem padrões mais rígidos e permitem que os migrantes sejam enviados para estados com os quais não têm ligações, bem como uma controversa lista única de “países de origem seguros”, abrem caminho à criação de centros de deportação fora da UE. Isto está em linha com o objectivo de um número crescente de Estados-Membros da UE, como a Dinamarca, os Países Baixos e a Itália, que já implementaram este modelo controverso com locais na Albânia.
Os textos, que ganharam o apoio do Parlamento Europeu numa votação em Estrasburgo – graças a vozes da direita e da extrema direita – e que ainda precisam da aprovação final dos 27 Estados-membros da União, suscitaram duras críticas de grupos de direitos humanos e de migrantes, que alertaram que as novas regras poderiam violar os direitos dos requerentes de asilo. E também apoiar regimes – como a Tunísia, que foi designada um “país seguro” – com graves violações dos direitos humanos.
Esta medida surge num momento em que as forças de extrema-direita estão em ascensão em vários países da UE, utilizando uma retórica populista contra a imigração num continente que está a envelhecer e à procura de trabalho em muitos setores. Retórica que agora também é apoiada pela direita tradicional.
Dois textos marcantes aprovados terça-feira pelo Parlamento Europeu representam progressos na criação de centros de deportação de migrantes (definidos como uma “solução inovadora” na bolha de instituições de Bruxelas) e confirmam o chamado modelo Meloni. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, promoveu a criação de centros deste tipo para migrantes rejeitados na Albânia. Objectos que suscitaram grandes dúvidas por parte do sistema judicial italiano.
As novas regras, que entrarão em vigor em Junho se o calendário de aprovação final do Twenty Seven for cumprido, darão aos Estados-membros mais poder para deportar requerentes de asilo. Abrem também a possibilidade de os enviar para um conjunto de países considerados “seguros”, mesmo que não tenham qualquer ligação com esse Estado, desde que os países europeus tenham assinado um acordo com ele. Além disso, foi compilada uma lista de “países de origem seguros” – desde a Tunísia e o Egipto até ao Kosovo e à Colômbia – que visa unificar os critérios em toda a UE. Esta lista e definição também implicam que os requerentes destes países terão extrema dificuldade em obter asilo na Europa.
“O texto sobre países de origem seguros colocará centenas de milhares de pessoas em situações de grande perigo”, criticou a eurodeputada verde Melissa Camara, que o definiu como “mais um passo na desumanização da política de migração da UE”. “Os países terceiros serão considerados seguros, apesar da situação extremamente alarmante dos direitos humanos”, alertou.
“Os cidadãos esperam que cumpramos as nossas promessas em matéria de política de migração, e é exactamente isso que estamos a fazer hoje”, afirmou Lena Dupont, eurodeputada do PPE.