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A transformação digital é uma oportunidade para o desenvolvimento e para colmatar a lacuna de produtividade na região desigual da América Latina. Como aproveitar ferramentas como a inteligência artificial foi um dos desafios analisados por quatro especialistas no painel. Salto Digital na América Latina: Inovação, Produtividade e Novas Oportunidades de Investimento. No palco do Centro de Convenções da Cidade do Panamá, onde acontece o segundo Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe, organizado pela CAF e apoiado pelo Grupo Prisa (editor do jornal EL PAÍS) através do World in Progress, debateu o CEO do Grupo Indra, José Vicente de los Mozos; a diretora de políticas públicas do Google, Eleanor Rabinowitz; Glória Guimarães, sócia fundadora da Guimarães Consulting; e o vice-presidente de Assuntos Econômicos da Vrio Corp, Pedro Betancourt.
“Todos têm uma urgência digital”, resumiu José Vicente de los Mosos. O empresário espanhol destacou a necessidade de acelerar os processos de desenvolvimento digital – lembrou o acordo assinado ontem entre a Indra e o Banco CAF de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe sobre garantias de financiamento – e fortalecer os laços entre os setores público e privado. “Um salto tecnológico não é a introdução de tecnologia; é uma política pública e uma colaboração público-privada. Há três razões geopolíticas: aumentar a produtividade, garantir a soberania tecnológica e promover o desenvolvimento sustentável. Devemos ver quais capacidades temos e trabalhar com empresas que garantam essa soberania.”
O tema do uso da inteligência artificial (IA) ficou no centro da conversa. “O benefício mais tangível da IA é a democratização e as suas capacidades analíticas”, disse Eleanor Rabinowitz do Google. “Além disso, quebra barreiras de entrada porque uma pequena empresa pode ter a mesma IA que uma empresa multinacional. E nos Estados Unidos isso também tem impacto, pode aumentar a sua produtividade em 3%”, acrescentou. Enquanto isso, Betancourt, da Vrio Corp, enfatizou a necessidade de incluir “contingentes de pessoas menos privilegiadas” na IA. “A IA é uma ferramenta poderosa, mas se você não treiná-la para usá-la, não obterá valor com ela.” No mesmo sentido, Guimarães sublinhou que hoje “o trabalhador tem uma visão analógica e é preciso dar um passo digital na formação”.
Para De los Mozos, da Indra, a velocidade com que ocorre a transformação digital regional é crítica. “E o financiamento é um elemento fundamental. Há também confiança, porque sem ela não haverá digitalização sustentável nem investimento”, afirmou. Para garantir a confiança, acrescentou o executivo da Indra, devemos trabalhar na segurança cibernética. “Esta é uma concha de diferentes elementos de digitalização. O nível de proteção agora não é muito bom e se não protegermos a infraestrutura, criaremos desconfiança”, concluiu.