janeiro 24, 2026
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A fraude digital está mais uma vez no centro dos debates jurídicos e bancários na sequência do caso de uma cliente que perdeu 28.350 euros após receber um SMS supostamente da sua instituição financeira. Pessoa ferida, funcionário de uma organização de consumidores Consumoviu seu pedido ser rejeitado pelo banco, o que levou a associação a entrar com uma ação judicial.

Os factos ocorreram no final de novembro de 2025, quando a vítima recebeu no seu telemóvel uma mensagem semelhante a um alerta de segurança da IN. O texto continha um código de confirmação e alertava sobre uma transferência suspeita, oferecendo um número de contato para cancelá-la. Este foi o ponto de partida do engano.

Decepção baseada na confiança

Ao ligar para o número fornecido, a mulher foi auxiliada por uma pessoa que se apresentou como segurança do banco. A entrevistada confirmou a suposta transação fraudulenta e ajudou-a passo a passo a “proteger” suas contas. Na verdade, ela foi incumbida de fazer transferências para contas controladas pelos golpistas.

Seguindo estas instruções, o lesado realizou cinco transferências consecutivas até o valor total atingir 28.350€. Ela nunca percebeu que estava autorizando o esgotamento de suas próprias poupanças, convencida de que agia sob supervisão bancária.

O sinal de alerta que impediu o golpe

O golpe só foi interrompido quando uma das transferências falhou e o suposto agente perguntou se ele tinha outras contas bancárias. Quando ela comentou que precisava consultar o marido, ele percebeu a situação e interrompeu a comunicação. Naquele momento, a vítima percebeu que havia sido enganada.

Como relatou mais tarde, os golpistas chegaram a fazer ameaças veladas, sugerindo que roubariam sua casa se ele não continuasse com as transferências. Esse tipo de pressão psicológica é frequentemente encontrado em grandes golpes.

Smishing: uma técnica de expansão

O método utilizado é conhecido como sorrindoum tipo de fraude em que mensagens SMS e chamadas telefônicas são combinadas para se passar por indivíduos legítimos. O objetivo é obter acesso a dados confidenciais ou forçar a vítima a autorizar transações bancárias de forma independente.

A Polícia Nacional alerta que este tipo de fraude tem aumentado nos últimos anos, aproveitando a confiança dos utilizadores nos sistemas de segurança dos bancos e nas mensagens automatizadas.

Resposta do banco em foco

Depois de descobrir a fraude, a vítima contactou imediatamente a sua organização para bloquear as transferências e apresentou queixa à Polícia Nacional. No entanto, o banco recusou qualquer responsabilidade, argumentando que as transações foram autorizadas conscientemente pelo cliente.

A Consumir questiona esse posicionamento e ressalta que foram necessários três dias para que a organização tomasse medidas após tomar conhecimento da fraude. Para a associação, este atraso é fundamental para a impossibilidade de devolução do dinheiro transferido.

Apoio à prática judicial

A organização de consumidores afirma que os utilizadores estão legalmente protegidos contra fraudes digitais na ausência de consentimento válido e informado. Nesse sentido, ele se refere à resolução Suprema Corte Decreto-Lei n.º 571/2025, de 9 de abril, que reforça o dever de diligência das instituições bancárias e põe em causa disposições que transferem toda a responsabilidade para o cliente.

De acordo com esta doutrina, a mera introdução de chaves ou verificação de transações não implica necessariamente consentimento caso tenha ocorrido engano ou manipulação. Um critério que poderá tornar-se decisivo no julgamento que se prepara.

Um caso que pode se tornar um precedente

A equipe jurídica da Consumur já trabalha em uma ação judicial para proteger os direitos do lesado e exigir a devolução dos valores furtados. A associação considera que o caso reflecte um problema estrutural no combate à fraude por parte de algumas instituições financeiras.

A organização incentiva outros consumidores que foram prejudicados por situações semelhantes a reclamar e denunciar, lembrando que existem opções legais e respaldo jurídico para exigir responsabilização. O desenvolvimento destas fraudes torna a prevenção e resposta bancária uma questão de interesse público.

Referência