– Europa Imprensa/Contato/Eskinder Debebe
MADRI, 2 de janeiro (EUROPE PRESS) –
O secretário-geral da ONU, António Guterres, exigiu esta sexta-feira que as autoridades israelitas revertassem a decisão de revogar as licenças de mais de 35 organizações não-governamentais nos Territórios Palestinianos Ocupados, no âmbito da crise humanitária que a população palestiniana enfrenta, especialmente na Faixa de Gaza.
“(Guterres) está profundamente preocupado. Ele apela ao levantamento da medida, sublinhando que as ONG internacionais são indispensáveis para o trabalho humanitário e que uma suspensão poderia minar o frágil progresso alcançado durante o cessar-fogo”, refere um comunicado assinado pelo porta-voz do chefe da ONU, Stephane Dujarric.
Ele também sublinhou que, de acordo com as suas obrigações ao abrigo do direito humanitário internacional, Israel deve permitir e facilitar a prestação rápida e desimpedida de assistência humanitária a todos os civis necessitados. Além disso, todos os parceiros humanitários devem ser capazes de agir com segurança e de acordo com os princípios humanitários.
Dujarric lembrou que o anúncio da revogação das licenças “complementa” restrições anteriores que já atrasaram a entrada em Gaza de produtos alimentares essenciais, medicamentos, produtos de higiene e habitação. “Esta última medida irá agravar ainda mais a crise humanitária que a população palestina enfrenta”, alertou.
Durante o dia, mais de 50 ONG criticaram a decisão de Israel e alertaram que as medidas ameaçam pôr fim às operações de ajuda humanitária nos territórios palestinianos ocupados.
O Comissário-Geral da Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA), Philippe Lazzarini, também opinou sobre a questão, sublinhando que “estas restrições, que estão a ser introduzidas na sequência da aprovação de legislação contra a UNRWA, fazem parte de um padrão preocupante de desrespeito pelo direito humanitário internacional e de impedimentos crescentes às operações de socorro”.