As Ilhas Canárias estão a preparar nova legislação que poderá impor multas às pessoas por operações de resgate causadas por comportamento imprudente após múltiplas mortes nos últimos meses. Fernando Figuereo, diretor-geral de Emergências do Governo das Canárias, confirmou esta quarta-feira (11 de fevereiro) que o projeto de Lei de Emergências e Proteção Civil do Governo regional inclui “um modelo sancionatório para resgates causados por imprudência”.
“Acreditamos que quem age de forma imprudente deve pagar”, disse Figuereo durante uma conferência de imprensa, explicando que atualmente existem dificuldades processuais na identificação das pessoas resgatadas. “Não se trata de penalizar alguém que sofreu uma queda acidental, mas sim de casos de negligência manifesta. Eles não estão apenas arriscando a própria vida, mas também a dos primeiros socorristas”. Exemplos deste comportamento imprudente incluem turistas e moradores locais que entram no mar quando uma bandeira vermelha é hasteada na praia, acessam áreas oficialmente fechadas para natação ou trilhas para caminhadas fechadas quando há avisos meteorológicos.
De acordo com a legislação em vigor, quem realiza resgates nas Ilhas Canárias não é funcionário, mas sim funcionário do prestador de serviço contratado, pelo que não pode abrir formalmente um processo administrativo para identificar o envolvido.
Figuereo citou dois incidentes recentes, um em Los Charcones, em Lanzarote, e outro na costa de Santiago del Teide, em Tenerife. Neste último, quatro pessoas morreram e outras três ficaram feridas em Dezembro numa piscina natural – Crab Island Pool – que tinha sido isolada e claramente sinalizada devido a alertas meteorológicos costeiros.
“Isso é imprudente”, disse ele, alertando que as operações de resgate podem ser caras, segundo o Semanario Canario.
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Figuereo explicou que, segundo dados de 2012, utilizar um helicóptero por apenas uma hora custa cerca de 2.000 euros (1.700 libras), excluindo pessoal adicional e custos logísticos.
De acordo com as alterações propostas, a força policial do arquipélago estaria envolvida de forma mais directa, com agentes responsáveis pela identificação formal das pessoas resgatadas quando for comprovada negligência. As autoridades também estão a trabalhar com o sector do turismo para melhorar a sensibilização dos visitantes, uma vez que a maioria dos incidentes envolve turistas estrangeiros, disseram as autoridades.
“Os serviços de emergência não são gratuitos, têm um custo”, acrescenta Moisés Sánchez, diretor do centro de coordenação de emergências Canarias 1-1-2.