janeiro 20, 2026
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Os trabalhos da Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF) sobre o acidente rodoviário de Adamuza (Córdoba) apenas começaram. A equipa de peritos, inicialmente constituída por três pessoas, às quais se juntarão mais duas nas próximas horas, solicitou informações à Adif sobre registos de movimentos de comboios por Adamuz dois dias antes do acontecimento, conforme noticiou esta segunda-feira numa nota do Ministério dos Transportes.

Os comissários prevêem realizar verificações aos comboios, que anteriormente passavam pelo ponto onde no domingo passado, cerca das 19h45, o descarrilamento das últimas carruagens de um comboio Iryo que transportava 300 pessoas resultou na colisão com um comboio Renfe Alvia que viajava no sentido contrário e transportava 186 passageiros. O violento confronto deixou 40 mortos, 29 feridos graves e 123 feridos ligeiros, segundo os últimos dados, ainda preliminares.

O departamento de Oscar Puente já analisou a passagem de três trens que passaram pelo local do acidente 20 minutos antes do acidente, em busca de indícios de danos na via que pudessem ter deixado marcas no material rodante. Segundo fontes departamentais, este acompanhamento nas divisões da Renfe ainda não teve sucesso. Fontes próximas do ministro acrescentam que um comboio de investigação e mais de uma centena de unidades comerciais circulavam pelo local de testes no dia do acidente, não tendo sido detectados incidentes. Segundo Puente, a reconstrução da infra-estrutura foi concluída em Maio de 2025. Desde então, Adif registou vários incidentes na zona de Adamuz, mas disse também que foram resolvidos através de trabalhos de manutenção de rotina.

A recolha de informações de trânsito 48 horas antes de um evento não é a única medida que o CIAF implementa para determinar a causa de um incidente. A equipa determinou ainda que “será necessário analisar em laboratório as faixas do ponto de partida do descarrilamento, bem como verificar o andamento do comboio Iryo (acidente) na oficina. Serão também extraídos dados dos registadores legais (equipamentos informáticos que recolhem parâmetros de movimento dos comboios, como a velocidade) a bordo de ambos os comboios”, explica a Nota de Transporte. Para este efeito, o material será transferido “temporariamente” para o escritório do CIAF em Madrid para posterior envio ao laboratório.

A “recuperação e armazenamento” dos itens que o CIAF pretende transferir para Madrid para análise será realizada nas próximas 48 horas. Para coordenar este trabalho, a comissão reuniu-se com os responsáveis ​​pelo funcionamento da Guarda Civil estacionada na zona, o juiz que assumiu a investigação, a Adif e as duas empresas ferroviárias responsáveis ​​pelos comboios acidentados.

Conforme especificado na nota, três membros da comissão – o seu secretário e dois investigadores técnicos – deixaram os seus escritórios em Madrid por volta das 22h00. “A equipa do CIAF inspeccionou o local onde teve início o descarrilamento, a infra-estrutura dos carris, travessas e plataformas daquele local, bem como os danos causados. A equipa partiu aproximadamente às 04:15, regressando por volta das 09:00, com luz natural, para continuar a fiscalizar a infra-estrutura e o material circulante dos comboios afectados”, esclarece a nota.

Os Transportes sublinham que o trabalho da comissão nestas primeiras horas foi “recolher informação no terreno e compilar documentação e dados de registos diversos”. Após análises laboratoriais do material transportado para Madrid, será tomada a decisão de realizar novas ações, como vistorias, verificações noutros locais ou estudo de mais material circulante.

“Neste momento, estando numa fase inicial, todas as hipóteses sobre as possíveis causas do incidente estão abertas”, afirmou o ministério em comunicado, lembrando que o CIAF, de acordo com os regulamentos, tem até um ano para publicar o relatório final da investigação. No caso do acidente de Angrois em 2013, foram necessários 10 meses para a publicação do documento de constatações.

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