As autoridades iranianas restringiram esta quinta-feira o acesso à Internet, não permitindo ligações ou serviços de fora do país, numa tentativa de controlar os protestos que abalam o Irão há 12 dias.
A plataforma NetBlocks, que monitora o tráfego e a censura da Internet, foi destacada em
Nos primeiros 12 dias desde o início desta ronda de protestos, pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito crianças, foram mortos e centenas ficaram feridos, de acordo com a organização não governamental Iran Human Rights (IHRNGO), sediada em Oslo. Só na quarta-feira, 13 manifestantes foram mortos, informou a organização, que também afirmou que o número de pessoas detidas já ultrapassa 2.000. As forças iranianas usaram munições reais para reprimir os protestos e realizaram prisões em massa em algumas cidades, disse a organização não governamental.
Os protestos ocorrem num momento em que milhões de iranianos perdem poder de compra, agravados por um declínio histórico no valor do rial, a moeda nacional. Os protestos surgem também num momento de endurecimento das sanções impostas pelos Estados Unidos, que juntamente com Israel voltaram a centrar as atenções no programa nuclear do Irão com explosões semelhantes às registadas em Junho do ano passado que mataram cerca de mil pessoas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou esta quinta-feira o Irão, garantindo que o “inferno” o aguarda se as forças de segurança “começarem a matar pessoas” no contexto da mobilização, noticia a Europa Press. “Deixei-lhes claro que se começarem a matar pessoas, como costumam fazer durante os motins, porque têm muita agitação, se fizerem isso, iremos atingi-los com muita força”, disse numa entrevista telefónica ao comentador Hugh Hewitt, que lhe disse que de facto dezenas de pessoas já tinham morrido no país da Ásia Central.
A EFE conseguiu verificar que desde o meio-dia já não era possível ligar-se a páginas fora do Irão, e as VPNs (rede virtual privada), que normalmente são utilizadas para aceder a aplicações bloqueadas no país, como WhatsApp ou Telegram, não funcionavam.
No distrito norte de Teerão, capital do Irão, onde eclodiram os protestos em 28 de dezembro, as lojas e cafés estavam fechados na tarde de quinta-feira e quase não havia peões nas ruas, em contraste com uma forte presença de polícia motorizada e da tropa de choque, informou a EFE. Com as ruas vazias, os protestos começaram por volta das 20h. a hora local mudou para as janelas das casas, de onde gritavam slogans como “Morte a Khamenei”, “Morte à República Islâmica” ou “Esta é a última batalha, Pahlavi retornará”.