“Quando fui diagnosticado, a perspectiva era terrível. É difícil e incerta. O choque inicial me deixou cambaleando e sem saber o que fazer. E o impacto em minha família também foi devastador. Naquele momento, não víamos que havia um caminho a seguir, … passar, vimos apenas o que naquele momento todos considerávamos o único final. Um grande amigo meu, paciente com câncer, que acabou vencendo a doença, me contou sobre isso.
Este é o caminho em que devemos nos concentrar. Especialistas na área de pesquisa e saúde já estão preocupados, e, aliás, muito bem, monitorando nosso corpo, fazendo todo o possível, e mais ainda, para que o câncer não atinja seu objetivo. Mas o caminho é longo e há muito mais coisas para fazer ao longo do caminho.
De vez em quando, a sociedade introduz na moda certas palavras e conceitos com a ajuda dos quais se articula a maior parte dos discursos que ouvimos. E embora tenham um ótimo conteúdo, às vezes ficam apenas na oratória e não dão lugar à concretização do que expressam.
Quando falamos em humanização, no caso do câncer, há muito trabalho a ser feito. Os pacientes nos perguntam sobre isso o tempo todo. Além de curar, devemos também cuidar, estar ao lado deles e, acima de tudo, entendê-los. O paciente tem pela frente uma longa jornada, cujo mapa geralmente desconhece, e durante a qual terá que enfrentar etapas nas quais precisa se sentir seguro e, sobretudo, ser compreendido.
A humanização não é um conceito abstrato, mas uma necessidade real que impacta diretamente a saúde e os resultados clínicos.
É por isso que mais uma vez nos concentramos no paciente e na sua família, para que além de receberem cuidados médicos, também encontrem um ambiente amigável que lhes permita percorrer esta jornada com a garantia de que compreendemos o que lhes está a acontecer e que possam concentrar-se na sua recuperação, pois à sua volta encontrarão um ambiente livre de tensões, confiável e cheio de amor.
Cada paciente tem um câncer diferente com circunstâncias únicas; É por isso que a atenção deve se adaptar a cada etapa e a cada história.
E para isso precisamos fazer muito: tanto das autoridades sanitárias quanto da própria sociedade.
As autoridades de saúde devem continuar a esforçar-se para melhorar a experiência do paciente. Existem muitas oportunidades para melhorar as salas de espera e de tratamento em hospitais e clínicas. E claro, precisamos continuar trabalhando para que não haja erros de gestão e buscar um caminho para a transparência e a equidade nos processos de recuperação. A humanização consiste em garantir que todos compreendam a sua situação e participem nas decisões sobre a sua saúde. A experiência do paciente melhora a qualidade do atendimento e facilita a tomada de decisões
Os profissionais de saúde também são desafiados a dar um passo em frente, mas temos de lhes dar as ferramentas de que necessitam. Nas universidades médicas, a humanização deveria ser disciplina obrigatória, principalmente na área de oncologia. Em Sevilha, o Dr. Virizuela está a trabalhar com a Universidade Loyola e a própria AECC para lançar um projecto que, se possível, irá sensibilizar os profissionais de saúde que enfrentam esta difícil tarefa. Comunicação, gerenciamento de emoções e capacidade de orientar em momentos difíceis são habilidades importantes.
E, finalmente, a sociedade também deve amadurecer. O paciente com câncer e sua família devem confiar no sistema de saúde. Quebrar essa confiança é muito perigoso. Portanto, devemos ter muito cuidado ao expressar dúvidas ou suspeitas sobre o sistema. Os erros devem ser corrigidos, mas o paciente deve confiar no sistema e nos seus profissionais.
A medicina e a pesquisa produzem melhores resultados a cada dia. Os pacientes também nos pedem para cuidar deles, compreendê-los e ajudá-los nesta jornada, sentindo, acima de tudo, que estão bem apoiados.
4 de fevereiro, Dia Mundial do Câncer, é um bom momento para lembrar disso.