janeiro 20, 2026
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Amizade criada entre cenário e contrastes

No cenário musical espanhol, poucos relacionamentos atraíram tanta atenção quanto Joaquim Sabina E Joan Manuel Serrat. O vínculo entre eles, que se estende por mais de quarenta anos, combina respeito profissional, intimidade pessoal e um choque de personalidades que não só os manteve separados, mas consolidou uma das colaborações mais memoráveis ​​do país.

Documentário “É uma pena”Dirigido por Fernando Leon de Aranoa, o filme não só examina a trajetória do artista andaluz, mas também mergulha em seu universo emocional. Um dos momentos-chave é a sua relação com Serrat, mostrada a partir de uma perspectiva íntima que lança uma nova luz sobre ambos.

Sabina: entre a admiração e o retrato pessoal

Em um dos fragmentos mais comentados, Sabina se dirige abertamente à amiga: “Ele é o cara mais organizado e stakhanovista do mundo.“, ele garante.”Ele tem um lado completamente charmoso e outro lado durão e com uma expressão torta.“Esta afirmação resume o equilíbrio entre o amor, a crítica construtiva e o conhecimento profundo do outro.

Não é a primeira vez que Sabina fala sem filtro, mas o formato documental permite-nos ver estas impressões contextualizadas, em imagens que cruzam a vida pública com momentos privados.

O passeio que parecia impossível

Quando preparavam uma turnê conjunta em 2007, muitos duvidaram de sua viabilidade. José Emílio Navarro “Berry”Empresário de Sabina e ex-funcionário de Serrata, lembra: “Todo mundo me dizia que éramos malucos e que iam se suicidar logo no primeiro dia”. No entanto, aconteceu o contrário. O respeito e o carinho mútuos prevaleceram sobre as diferenças.

Num gesto revelador, Berry consultou Serrat se ele também deveria concordar em representar Sabina. O catalão não só deu a sua aprovação, como também o fez com uma frase cheia de ironia: “Diga a ele que sim, mas saiba que agora você tem Joselito e Belmonte. Belmonte sou eu, me pergunto

Um retrato que vai além da música

“Que pena” não é uma simples biografia criativa. O documentário, que levou 13 anos para ser filmado, abrange desde a criatividade musical até o silêncio no camarim. A presença de Serrat neste retrato não é anedótica: é importante compreender a evolução da própria Sabina.

Entre luzes de concerto e sombras pessoais, a peça documenta um processo de maturidade e reflexão. A passagem do tempo, a doença dos pais, as decisões profissionais e as ligações afetivas formam um mosaico em que Serrat aparece não só como colega, mas também como figura chave para uma compreensão mais profunda de Sabina.

Dois ícones que se definem

A história de Sabina e Serrat é uma história de intimidade e diferença, cooperação e contraste. Ambos sabem respeitar-se sem tentar influenciar-se – uma fórmula rara e eficaz. Como mostra o documentário, por trás de cada turnê, de cada entrevista e de cada aplauso está uma relação marcada pela honestidade e pelo verdadeiro sentimento de propriedade.

Longe de ser uma mera nota biográfica, a visão de Sabina sobre Serrat revela uma verdade emocional: na arte, como na vida, a harmonia nem sempre nasce da semelhança, mas do equilíbrio entre os opostos.

Referência