fevereiro 2, 2026
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Depois de um ano e meio a vê-los chegar, o Bernabéu decidiu que não vai transferir nenhum jogador para a sua equipa neste momento. Os apitos regressaram frente ao Rayo depois de uma noite terrível em Lisboa. As censuras não atingiram os mesmos decibéis e intensidade de há duas semanas contra o Levante, imediatamente após o fracasso da taça em Albacete, mas os adeptos criticaram persistentemente a sua equipa. “Tenho muito respeito pelo público e pedirei sempre o seu apoio”, concluiu Álvaro Arbeloa, que na véspera tinha pedido o apoio das pessoas e que depois só permaneceu em público no segmento final.

A realidade é que a relação entre a equipa e os adeptos continua difícil e há pelo menos algumas críticas aos Cobbles. Só no último ataque dos brancos, movidos pela necessidade de todos os lados, as críticas foram deixadas de lado e todos nadaram na mesma direção. O gol de pênalti de Mbappe aos 100 minutos contra dez jogadores foi o único alívio para os locais em mais uma sessão difícil.

Vaiando no aquecimento e quando as escalações foram anunciadas, Vinicius assumiu o protagonismo nos minutos iniciais e foi mais uma vez o mais vaiado (vai perder o jogo de domingo no Mestalla por causa de cartões), seguido por Bellingham. O inglês até sentiu censura ao se aposentar por lesão (uma perfuração no ísquio da perna esquerda) ainda empatado a zero. Valverde, Mastantuono, Waysen e até Álvaro Arbeloa também foram criticados pelo anfiteatro. O novo treinador não quis comentar os apitos que ocorreram com o seu nome.

Porém, desta vez a “renúncia de Florentino”, que foi clara e sobretudo há 15 dias, não foi ouvida, pelo menos no sentido próprio. Também mudou a reação de Vini, que há 10 dias evitou se comunicar com o público após marcar contra o Mônaco e que neste domingo, após o gol de 1 a 0, se dirigiu aos torcedores, os incentivou e beijou diversas vezes o escudo à sua frente. Seu bom gol, com exceção dos últimos minutos, tornou-se o único momento de trégua entre o time e a arquibancada. Nada como um alvo de redução de incêndio. Mas o bálsamo não durou muito. Antes do intervalo, assim que ocorria um erro, uma abordagem despojada ou o time da casa demorava no lançamento da bola, mais apitos eram soprados para o alto.

Com esse barulho eles foram para o intervalo. Assim o dia foi avançando, principalmente depois do empate em 1 a 1 e do um contra um que Courtois defendeu de Ratiu aos 65 minutos. Desse momento até o ataque final os apitos das arquibancadas foram constantes, inclusive de Mastantuono e Heysen quando foram substituídos.

O Madrid fez um grande jogo? – perguntou Arbeloa. “Grande esforço, vou continuar. É hora de trabalhar e melhorar”, respondeu o treinador, que negou estar preocupado com o desempenho da equipe e agradeceu diversas vezes a dedicação dos jogadores. “Foi uma vitória para a alma”, continuou ele. “Vejo o que queria dos jogadores: esforço. E deve haver consistência aqui. É disso que precisamos. Consistência no jogo e no esforço”, acrescentou. “Compreendo as exigências do clube, mas também entendo de onde vem a equipa e de onde eu venho. Há sempre picos em cada melhoria”, observou, numa conferência de imprensa que começou quase uma hora depois do fim do acidente e terminou com uma proposta própria. “Você tem sorte de ter um treinador que não precisa explicar o que é o Real Madrid.”

O dia terminou com Ceballos sendo derrubado assim que o árbitro apitou final, comemorando uma vitória de pênalti no 100º contra nove homens, com Courtois aplaudindo das arquibancadas em seu clássico retorno ao ringue para se despedir da multidão. Os assobios têm exceções.

Referência