As constantes reclamações da família Bolsonaro sobre as condições em que o patriarca se encontra detido numa esquadra de Brasília levaram o juiz brasileiro Alexandre de Moraes a ordenar a sua transferência imediata. Esta quinta-feira, um magistrado ordenou a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro, capitão reformado do Exército, para o complexo penitenciário de segurança máxima da Papuda, também na capital brasileira. A extrema direita irá primeiro para uma ala reservada aos militares e autoridades, mas primeiro será submetido a um exame médico para decidir se deve ir para o hospital da prisão.
O ex-presidente ficará detido no batalhão da Polícia Militar do Complexo da Papuda. O juiz ressalta que Bolsonaro terá mais espaço já que ficarei em uma cela maior para quatro presos, mas ele não dividirá com mais ninguém. Além disso, agora você pode fazer fisioterapia e sair para o terraço para tomar sol.
Trancado nesta ala especial para homens uniformizados, conhecida como Papudinya, está um de seus co-conspiradores, seu ex-ministro Anderson Torres, policial militar. Papuda é uma das prisões mais seguras do Brasil. Muitos dos políticos presos em decorrência dos escândalos da Lava Jato e do Mensalão passaram por ele, e agora estão presos membros da liderança do PCC (Primeiro Comando da Capital) e líderes proeminentes de outros grupos do crime organizado.
Em setembro, Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por ser o mentor do golpe. Em novembro, esgotados os recursos judiciais, deu entrada na principal delegacia de Brasília para cumprir pena. Eram condições quase idênticas às que o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve enquanto cumpria pena por corrupção que mais tarde foi anulada.
Bolsonaro vem sofrendo de vários problemas de saúde que o levaram a ser hospitalizado durante a semana entre o Natal e o Ano Novo para ser submetido a uma operação de hérnia e cirurgia para aliviar soluços. Poucos dias depois, ele sofreu uma leve concussão após uma queda. Seus advogados entraram com uma série de recursos pedindo que Moraes cumpra sua pena em prisão domiciliar.
Sua esposa, Michelle Bolsonaro, se reuniu com o veterano juiz do Supremo Tribunal Federal para expressar pessoalmente suas preocupações, informou a mídia G1. Mas o juiz Moras sempre recusou. O ex-presidente, em estado de alucinação, já havia tentado retirar a pulseira eletrônica que rastreava seus movimentos devido ao risco de fuga.
Tanto a esposa do ex-presidente como os seus filhos queixaram-se persistentemente de que as condições na esquadra da polícia eram inadequadas tendo em conta a sua frágil saúde e estado emocional.
Dados os problemas de saúde de Bolsonaro, o juiz permite que o conspirador condenado receba cuidados médicos 24 horas por dia, transferência imediata para um hospital em caso de emergência, cinco refeições por dia especialmente preparadas para ele e visitas à sua esposa e a todos os seus filhos, exceto Eduardo, que foi aos Estados Unidos para fazer lobby em nome do seu pai e está sendo processado por obstrução da justiça. O primogênito, Flávio, foi indicado pelo pai para enfrentar o presidente Lula nas eleições de outubro seguinte.