Um tribunal da ilha grega de Lesbos absolveu na quinta-feira 24 trabalhadores humanitários, incluindo a proeminente activista síria Sarah Mardini, das acusações de tráfico de seres humanos apresentadas contra eles há sete anos por alegadamente facilitarem a entrada de migrantes no país.
Vinte e quatro voluntários e activistas da ONG Emergency Rescue Center International (ERCI) foram também acusados de criação de uma organização criminosa e de branqueamento de capitais, crimes que podem levar até 20 anos de prisão.
Os absolvidos entre 2015 e 2018 apoiaram operações de busca e salvamento de refugiados no mar na ilha de Lesbos, onde mais de meio milhão de pessoas chegaram só em 2015.
A decisão do tribunal foi tomada após a conclusão das declarações de todos os arguidos e a intervenção do Ministério Público, que propôs a absolvição integral de todos os arguidos, informa o portal Stonisi.
“Teste Jurídico”
O Tribunal considera que não há provas que apoiem as graves acusações contra os trabalhadores humanitários. O veredicto foi recebido com aplausos, lágrimas e gritos de alegria.
“As absolvições são uma justificativa para os acusados, mas também são agridoces. Duas dúzias de pessoas foram submetidas a sete anos de julgamentos sob acusações infundadas por salvar vidas”, disse Eva Causse, pesquisadora da organização não governamental internacional Human Rights Watch (HRW), em um comunicado.
A ONG já descreveu o julgamento dos activistas como uma “distorção perversa do trabalho humanitário que salva vidas”.
Entre os acusados está a ex-nadadora e ativista síria Sarah Mardini, cuja viagem da Síria a Lesbos inspirou o filme da Netflix. Nadadores. Também foram acusados o ex-presidente da ERCI, o socorrista grego Nasos Karakitsos; E Mergulhador de resgate irlandês Sean Binder.
Karakitsos, Binder, Mardini e três outros membros da ERCI foram detidos em 2018 e passaram mais de cem dias em prisão preventiva antes de serem libertados enquanto aguardam julgamento.
Em Janeiro de 2023, um tribunal de Lesbos retirou as acusações de falsificação de documentos e espionagem contra os arguidos, considerando-as infundadas, bem como outros crimes menores contra eles.
No entanto, as autoridades judiciais decidiram continuar a acusação de crimes graves, dos quais todos os arguidos foram absolvidos.
Um relatório do Parlamento Europeu publicado em 2021 descreveu o caso como “o maior caso de criminalização da solidariedade na Europa”.