janeiro 10, 2026
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Voltar a ler ou ler mais é um clássico nas listas de tarefas do Ano Novo, mas em um mundo de estímulo constante na forma de curtidas, notificações ou recomendações precisas de algoritmos, nem sempre é fácil encontrar tempo para ficar sozinho com um livro. Aqui estão as chaves da psicóloga Elena Dapra para retornar ao papel:

Leia honestamente

“A primeira coisa a fazer é tirar a solenidade da leitura”, diz Dapra, que recomenda priorizar os seus próprios gostos antes de recorrer às listas dos melhores livros ou grandes clássicos do ano. “Não é preciso começar pelo ‘grande livro esperado’, mas sim começar por algo que traga prazer imediato: contos, ensaios leves, contos ou até mesmo a releitura de um livro que você já gostou”, defende. “O cérebro precisa reassociar a leitura ao prazer, e não à demanda ou à produtividade.”

Encontre um momento

Você não precisa estar aposentado ou de férias para se tornar um leitor. Segundo uma psicóloga: “Dez minutos de leitura por dia são suficientes para reativar o hábito”. O que importa não é o tempo nem o número de páginas, mas sim a consistência na criação de um “contexto amigável: escolher a hora certa do dia, reduzir os estímulos ambientais e ler por prazer, e não por obrigação cultural”, segundo o especialista.

Aceite a falta de concentração

Outro conselho de Dapra: “Aceite que no início é difícil se concentrar e que isso faz parte do processo, não um fracasso pessoal”. Depois de horas se acostumando com a atenção fragmentada e as recompensas imediatas das telas, a psicóloga explica que é comum ficar impaciente ao abrir um livro. “As telas dificultam manter o foco em uma única tarefa, como a leitura. Não é que perdemos a capacidade de concentração, mas que a estamos utilizando em um formato diferente”, avalia. “A leitura exige um ritmo mais lento e profundo, por isso pode ser perturbador no início, mas com a prática o cérebro vai se adaptando novamente”, afirma a psicóloga.

“Normalmente é mais fácil retomar a leitura depois que se torna um hábito porque o cérebro retém esta marca: sabe como é ler e gosta de ler. Mas é perfeitamente possível retomar a leitura na idade adulta se começar sem expectativas rígidas”, afirma o especialista, que afirma que a leitura promove a regulação emocional, reduz a ativação mental e melhora a autoconsciência.

“A leitura nos tira do modo reativo e nos leva de volta a um tempo interno mais lento, o que é muito necessário no contexto de superestimulação constante. Além disso, aumenta a atenção sustentada, a empatia e a capacidade de simbolizar o que sentimos”, enumera. “Este não é apenas um hábito cultural: é uma forma de ajuda psicológica”, conclui.

Referência