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MADRI, 1º de fevereiro (EUROPE PRESS) –
A líder da oposição venezuelana exilada, Maria Corina Machado, disse este domingo que se tornará presidente da Venezuela “quando chegar a hora certa” e sublinhou os progressos alcançados até agora graças à “pressão” dos Estados Unidos e, em particular, do seu presidente Donald Trump.
“Vou me tornar presidente quando chegar a hora. Mas isso não importa. O povo venezuelano decidirá isso nas eleições”, disse Machado em entrevista ao canal de televisão americano CBS.
Machado enfatizou que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, está “seguindo as instruções dos Estados Unidos”, o que significa “passos importantes”. “Vemos resultados nas ações do regime”, disse ele.
O líder da oposição acredita que Rodriguez é “um comunista em quem não se pode confiar”. “Essas pessoas têm fortes laços com a Rússia, o Irã, a China, Cuba… quero dizer, eles fazem o que fazem porque os Estados Unidos exercem pressão suficiente sobre eles”, disse ele.
Mas Machado deu a entender que as reformas não estavam a avançar suficientemente depressa e alertou que a paciência do povo venezuelano estava a esgotar-se. Assim, referiu que, apesar do anúncio de libertação por parte do governo, dos mais de 1.000 presos políticos que ali se encontravam no dia 1 de Janeiro, cerca de 700 continuam presos. “Nem um único prisioneiro militar ou político foi libertado”, observou ele.
“Tenho muita certeza de que o resultado final será o mesmo”, disse, referindo-se à posição de Washington, que parece pronto para chegar a acordos e cooperar com as autoridades venezuelanas. “O que queremos, o que o povo venezuelano votou, o que lutou com grande sacrifício, é também o que querem o governo dos Estados Unidos e o presidente Trump”, assegurou.
No entanto, é um “processo muito complexo” “desmantelar da forma mais ordenada e controlada” “uma estrutura criminosa associada aos inimigos do Ocidente: Rússia, Irão, China, Cuba, organizações terroristas extremistas como o Hezbollah, o Hamas, cartéis e guerrilhas”. “Eventualmente haverá um processo eleitoral em que seremos capazes de desafiar o poder com a Assembleia Nacional legítima, governadores, presidentes de câmara e, obviamente, o presidente”, disse ele.
PRIMEIRO VENEZUELA, DEPOIS CUBA, NICARÁGUA E IRÃ
A médio prazo, acredita Machado, a intervenção dos EUA na Venezuela “salvará milhões de vidas”. “E quando a Venezuela estiver livre, o regime cubano seguirá. O regime nicaraguense seguirá, até mesmo o regime iraniano, que transformou a Venezuela num porto seguro, um satélite a apenas três horas da Florida”, previu.
Machado explicou que atribuiu o Prémio Nobel da Paz a Trump, a quem já o tinha dedicado, “por razões de justiça” e no “melhor interesse do nosso país”. “Nós, o povo venezuelano, estamos verdadeiramente gratos pelo que ele fez e acreditamos no que fará nos próximos dias, semanas e meses”, disse ele.
Ele também mencionou o petróleo venezuelano, citado por Trump como razão para a intervenção militar que prendeu o presidente Nicolás Maduro em 3 de janeiro, e apoiou a reforma que o governo está pressionando para privatizar a indústria petrolífera. “São sinais positivos do que nós, o povo venezuelano, queremos no futuro. Não queremos o socialismo. Não queremos que o Estado seja o dono de todas as instalações e centros de produção”, enfatizou.
Por fim, sobre o seu possível regresso à Venezuela, Machado garantiu que se fosse presa enquanto tentava sair do país, “provavelmente desapareceria ou algo pior”, mas agora acredita que “não ousarão matar-me por causa da presença e ações dos Estados Unidos”.