janeiro 11, 2026
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Embora se repita constantemente que a operação levada a cabo pelos Estados Unidos foi provocada pelo petróleo venezuelano, não devemos ficar presos à versão oficial. A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo, aproximadamente 20%, mas produz apenas 0.8 por cento da produção mundial, menos de um terço do que antes do advento do regime socialista. Os Estados Unidos foram o seu principal comprador, mas depois das sanções a China tornou-se o comprador dominante, comprando quase 70 por cento do petróleo bruto da Venezuela, grande parte do qual transportado em petroleiros opacos da “frota sombra” para evitar sanções. Estas compras estão a ser feitas com “desconto” porque a China se tornou o maior credor do governo de Hugo Chávez, devendo-lhe a Venezuela cerca de 10 mil milhões de dólares. Além do petróleo, a China assumiu o controle de minerais estratégicos para a produção de armas, especialmente mísseis.

A presença chinesa é operacional, não apenas comercial, e os Estados Unidos intervirão para negar a Pequim o acesso a estes recursos na sua tentativa de liderança global, ao mesmo tempo que impedirão qualquer pessoa de produzir mísseis que possam atingir os Estados Unidos utilizando minerais extraídos na Venezuela. Quanto à Rússia, temos de ter em conta a presença de “conselheiros” enviados para treinar em reconhecimento, a utilização de sistemas de defesa aérea, radares, etc.

A Venezuela combinou recursos estratégicos com infra-estruturas militares nas mãos de potenciais adversários, e esta combinação de ameaças tornou-se um risco de segurança para os Estados Unidos num ambiente global cada vez mais em mudança.

Félix Eugenio J. Cortijo. Badajoz

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