O rei de Marrocos, Mohammed VI, tornou-se o mais recente líder a aceitar um convite para se juntar ao chamado “Conselho de Paz” do presidente dos EUA, Donald Trump, enquanto o presidente russo, Vladimir Putin, avalia o seu convite.
O organismo liderado pelos EUA pretende contribuir para “uma paz, estabilidade, reconstrução e prosperidade duradouras” no Médio Oriente, afirma a Casa Branca.
Na segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores marroquino disse que o rei do país “aceitou gentilmente” a oferta para se tornar membro fundador da junta, de acordo com um comunicado divulgado pela agência de notícias estatal Maghreb Arab Presse.
O rei Mohammed saúda “o compromisso e a visão de Donald Trump para promover a paz”, teria dito o ministério. “Marrocos ratificará a carta fundadora deste conselho.”
O conselho foi originalmente concebido para supervisionar a reconstrução de Gaza, mas a sua carta não parece limitar o seu papel ao território palestiniano.
O estatuto do conselho, ao qual a AFP e a Reuters tiveram acesso, diz que os países membros representados no conselho pelos seus chefes de estado ou de governo poderiam aderir por três anos ou mais se pagassem mais de mil milhões de dólares no primeiro ano.
Vladimir Putin ainda não decidiu se a Rússia aceitará o convite.
(Reuters: Evgenia Novozhenina)
A Casa Branca pediu a vários líderes mundiais para integrarem o conselho, presidido por Trump, incluindo Putin.
O presidente russo, depois de quase quatro anos de guerra entre a Rússia e a Ucrânia, ainda não anunciou se aceitará.
A Rússia está tentando “esclarecer todas as nuances” da oferta com Washington, disse à AFP o porta-voz Dmitry Peskov, sem especificar se Putin está disposto a aderir.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, e o presidente francês, Emmanuel Macron, também receberam convites, mas ainda não anunciaram se os aceitarão.
Falando à rádio ABC Sydney na segunda-feira, Albanese disse que ainda não teve tempo de “considerar adequadamente” a oferta.
Entretanto, uma fonte próxima do presidente francês disse à AFP que este “não tem intenção de responder favoravelmente” ao convite de Trump.
A fonte disse que o conselho de paz “vai além da estrutura exclusiva de Gaza”.
“Isso levanta questões importantes, em particular no que diz respeito ao respeito pelos princípios e pela estrutura das Nações Unidas, que em nenhum caso podem ser questionadas”, disseram à AFP.
A Rússia e a França são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.
Na manhã de segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores francês emitiu uma declaração reiterando o compromisso da França com a ONU.
“Esta continua a ser a pedra angular do multilateralismo eficaz, onde o direito internacional, a igualdade soberana dos Estados e a resolução pacífica de disputas prevalecem sobre a arbitrariedade, a política de poder e a guerra”, disse ele.
O ministério acrescentou que estava a rever o quadro jurídico proposto pela junta com os seus parceiros, levantando preocupações de que o “projecto se estenderia para além da situação em Gaza”.
A fonte próxima do presidente francês observou, no entanto, que a França “continua totalmente comprometida com um cessar-fogo em Gaza e com um horizonte político credível para palestinianos e israelitas”.
No início desta semana, a Casa Branca divulgou os nomes dos altos executivos que deverão trabalhar com este novo “Conselho de Paz”.
Os nomes incluíam o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e o genro de Trump, Jared Kushner.
ABC/fios