O Presidente francês, Emmanuel Macron, sublinhou esta quarta-feira na sua tradicional mensagem de Ano Novo de 31 de dezembro a necessidade de a Europa defender a sua “independência e liberdades”. Por sua vez, o chanceler alemão Friedrich Merz, na sua primeira mensagem de Ano Novo ao chefe do poder executivo, também enfatizou que a guerra na Ucrânia não é um conflito distante. Também sublinhou que o mundo vive uma “mudança de épocas”, noticia a Efe.
Ambos os líderes expressaram preocupação com as novas ameaças que pairam sobre a Europa. O presidente francês sublinhou, no que poderia ser interpretado como uma referência aos Estados Unidos, à China e à Rússia: “Estamos a assistir ao regresso dos impérios, ao questionamento da ordem internacional, a um mundo de guerras comerciais e de competição tecnológica e, muitas vezes, de instabilidade”.
Macron defendeu a aceleração da criação de uma “Europa defensiva”, que “já começou a ser construída”. Segundo o presidente, esta construção será acelerada a partir de 6 de janeiro do próximo ano, altura em que numerosos estados e aliados europeus pretendem assumir compromissos concretos para defender a Ucrânia e garantir uma paz justa e duradoura no continente europeu.
Macron referia-se a uma reunião na próxima semana em Paris da chamada “coligação dos dispostos” – trinta países prontos a dar garantias à Ucrânia quando a guerra com a Rússia terminar para evitar novas agressões de Moscovo. O Presidente francês prometeu que estas obrigações seriam assumidas pelos aliados.
2026 será o último ano completo do mandato do presidente francês, uma vez que em 2027 terão lugar eleições presidenciais, às quais não poderá mais comparecer. “Tudo farei para que as eleições decorram com a maior tranquilidade possível, sem qualquer interferência estrangeira”, alertou.
“Esta não é uma guerra distante”
De Berlim, o Chanceler alemão reiterou que a invasão russa da Ucrânia não afecta apenas os ucranianos. “Esta não é uma guerra distante que não nos afeta, porque está a tornar-se cada vez mais claro que o ataque russo foi e continua a fazer parte de um plano dirigido contra toda a Europa. A Alemanha é também alvo diário de sabotagem, espionagem e ataques cibernéticos”, afirmou. Merz sublinhou a “rigidez” com que a Rússia mantém a sua agressão, o que obriga os ucranianos a celebrar o Ano Novo “nas circunstâncias mais desfavoráveis”, como recordou.
“Muitos deles ficaram sem poder, sob a chuva de foguetes, temendo pelos seus amigos e familiares”, sublinhou a chanceler, antes de apontar para um contexto geopolítico marcado pela mudança nas relações de parceria entre os Estados Unidos e a Europa. “Os Estados Unidos da América são há muito tempo um garante fiável da nossa segurança, mas agora nós, europeus, temos de proteger os nossos interesses por conta própria.”
O discurso de Ano Novo de Merz também foi marcado por alusões a uma economia internacional atingida pelo regresso do proteccionismo e pelas condições que afectam o desempenho da economia alemã. “Estamos a assistir a um regresso ao proteccionismo na economia global. A nossa dependência estratégica de matérias-primas está a ser cada vez mais utilizada como arma política contra os nossos interesses”, afirmou a chanceler.
“Estas mudanças geopolíticas têm um grande impacto no nosso bem-estar e, como país exportador, notamos isso de uma forma especial”, afirmou o chefe do governo da Alemanha, a terceira maior economia do mundo e a mais importante da Europa.
Em 2023 e 2024, a economia alemã viveu dois anos consecutivos de recessão, algo que não acontecia há décadas. A economia da Alemanha está atualmente estagnada, com crescimento zero em 2025, de acordo com dados da Agência Federal de Estatísticas (Destatis) publicados em novembro.
“Este ano poderá ser decisivo para o nosso país e para a Europa. Este poderá ser o ano em que a Alemanha e a Europa regressarão com vigor renovado a décadas de paz, liberdade e prosperidade”, concluiu Merz.